Padre e advogado dizem que foram ameaçados de morte no Maranhão

“Por isso que a gente tem que passar o fogo de vez em quando”, disse fazendeiro, segundo ativistas. Os dois defendem quilombolas

Wilson Lima, iG Maranhão

O coordenador estadual da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Maranhão, padre Inaldo Serejo, e o advogado da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Maranhão (OAB-MA), Diogo Cabral, foram ameaçados de morte por fazendeiros na tarde desta segunda-feira, em frente ao fórum da cidade de Cantanhede, distante cerca de 200 quilômetros de São Luís.

As ameaças ocorreram antes de uma audiência judicial que iria discutir a posse de uma área de 1.089 hectares ocupada pela comunidade quilombola de Salgado, do município de Pirapemas, distante 133 quilômetros da capital. No ano passado, os quilombolas conseguiram na Justiça a titularidade de terras antes ocupadas por três fazendeiros da região: Ivanilson Pontes de Araujo, Edmilson Pontes de Araujo e Moisés Sotero. Agora, os fazendeiros tentam reaver essas terras na Justiça.

Momentos antes da audiência, o fazendeiro Edmilson Pontes de Araujo, segundo o integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA, afirmou na porta do fórum de Cantanhede que “era um absurdo gente de fora trazer problemas para o povoado” e que “por isso que a gente tem que passar o fogo de vez em quando, que nem fizeram com a irmã Doroty”, fazendo referência a Diogo Cabral e ao padre Inaldo Serejo. “A CPT Maranhão tem enfrentado de tudo. Foi duas vezes foi arrombada, onde levaram documentos e HDs, ligações ameaçadoras e agora mais esta ameaça contra agentes pastorais”, disse Cabral por e-mail.

As comunidades quilombolas também afirmam que os fazendeiros são responsáveis por uma série de ataques. Eles teria destruído roças, matado animais, áreas de reserva e também ameaçado de morte outros trabalhadores rurais. Os conflitos na região não são novos. As primeiras brigas pela área em Pirapemas começaram em 1981, segundo a CPT. A reportagem do iG tentou localizar os três fazendeiros, mas não conseguiu contato.

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