Entrevista – Flávio Dino fala pela primeira vez sobre a morte do filho de 13 anos

Do Correio Braziliense


Como o senhor tem acompanhado as investigações sobre a morte do seu filho?
Eu só quero que o (Hospital) Santa Lúcia responda a uma pergunta: é comum um garoto de 13 anos morrer de asma dentro de uma UTI? Se eles conseguirem provar por meio de estatísticas ou através da literatura médica que isso é normal, eu me calo. Mas o que eu tenho ouvido de vários profissionais é que o meu filho estaria vivo hoje se os procedimentos adotados fossem corretos. Se o Marcelo tivesse morrido dentro da escola, eu não iria responsabilizar a instituição de ensino, mas, dentro de um hospital e dentro de uma UTI, é inadmissível aceitar que uma criança morra dessa forma. Quero que o hospital, em respeito à memória do meu filho, diga o que ocorreu naquele dia, pois eles receberam o meu filho vivo e me entregaram morto.

O que leva a família a acreditar que houve erro da equipe médica?
Eu não classifico o que ocorreu como erro médico. Eu quero que a polícia investigue se houve um crime ou não. Até agora, o Santa Lúcia não me deu nenhuma explicação. Eles (gestores do hospital) fizeram uma reunião a portas fechadas e depois divulgaram para a imprensa uma nota omissa, que não diz nada. Eu passei o dia anterior inteiro andando de bicicleta com ele. Ele se comportava bem, com saúde. O que ele teve na escola foi uma crise como tantas outras, uma asma leve que sempre foi contornada sem maiores problemas.

O que o senhor viu antes da morte do Marcelo?
Eles aplicaram uma medicação no meu filho e, em seguida, ele começou a ter dificuldades para respirar. A médica demorou a chegar e o meu filho morreu. Sem contar que eles não fizeram a entubação no Marcelo quando ele começou a passar mal e, para piorar, ainda solicitaram material quando ele estava passando mal. Como uma UTI não é equipada com todos os recursos necessários para prestar socorro imediato? Quando o meu filho já estava morto, registrei um funcionário entrando com um aparelho, acho que era um respirador. A enfermeira olhou para o rapaz e disse: “Não precisa mais”. O meu filho estava internado por conta de uma crise asmática e, ao que tudo indica, não tinha um aparelho para tratar essa crise.

O senhor chegou a pedir providências inclusive ao governador Agnelo. Tem conseguido ajuda?
Eu, como pai e consumidor, tenho cobrado do Hospital Santa Lúcia, da polícia, do Ministério Público e do governo esclarecimentos. Podem tomar qualquer atitude, porém, o mais importante, eu nunca mais vou ter, que é o meu filho de volta.

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