Factoides duram pouco

Por José Reinaldo Tavares

A cada dia fica mais claro a quantidade de mentiras usadas por Roseana Sarney e seus marqueteiros para que ela aumentasse as suas chances na eleição para governador em 2010. Cada dia é mais uma mentira que chega ao fim.

Para não cansar muito, vamos ver o que aconteceu com quatro delas, das mais importantes porque serviram para criar um discurso novo de que Roseana teria a confiança e apoio do governo federal e iria transformar o Maranhão em um estado de progresso, desenvolvimento, muito emprego e segurança para todos. Seria o melhor governo da vida dela. Isso, na verdade, não queria dizer nada porque os seus outros governos foram muito ruins. Mas, uma mentira leva a outra.

Como carro-chefe dos factoides, nada melhor do que um projeto gigantesco, capaz de fazer sonhar, pois com ele viriam centenas de milhares de empregos. Nada melhor que a refinaria Premium que a Petrobras faria aqui. A maior do mundo, repetiam sem parar, e essa fantasia acabou por dar a ela a maior votação que ela obteve na capital, perto de 43% da votação, fundamental para a sua vitória. A refinaria, repetiam, daria emprego para todo mundo.

Outro anúncio mistificador e enganador, era a descoberta de gás em Capinzal, um lençol comparável em tamanho aos lençóis de gás da Bolívia, alardeavam e a governadora e o empresário Eike Batista, hoje bastante conhecido, convenciam a todos que com a intermediação de Roseana Sarney, tudo iria mudar.

Esses dois gigantescos projetos levaram ao terceiro factoide eleitoral o de que com Roseana no governo 400 mil empregos seriam criados no estado. Era o paraíso proporcionado pela ação da família benfeitora. E o trabalho insubstituível de Roseana Sarney.

E o quarto foi a promessa de que o crime estava com os dias contados no estado. Roseana Sarney dizia com enorme convicção que a partir de sua posse todos poderiam dormir de janela aberta, seguros e tranquilos, pois Roseana a guardiã, estaria velando pela segurança dos maranhenses.

Quase não dava certo tal o desgaste anterior dela e só não houve o segundo turno, que a derrotaria, por meros 2000 votos. Mas vamos ao que interessa. O que realmente aconteceu?

A refinaria só trouxe prejuízos. Empresários de todos os tamanhos investiram acreditando no projeto. Terrenos foram comprados, apartamentos foram construídos, pedreiras foram adquiridas, hotéis foram construídos em investimentos sem retorno até agora. Hoje as estatísticas de embarques e desembarques do aeroporto de São Luís, comparadas ao mesmo período do ano passado, mostram que houve uma diminuição de 150 mil passageiros. Quanto prejuízo deu a mentira e a irresponsabilidade aos que acreditaram nela. O gás de dimensões bolivianas, por seu turno, também não foi muito diferente. Não era verdade. Havia muito menos gás do que prometia a propaganda. Quem colocou a mentira por terra foi o governo federal que, semana passada, exigiu a conversão do projeto do empresário Eike Batista, em Santo Antônio dos Lopes, de gás natural, para operação com biocombustíveis – com óleo combustível também – após a companhia de Eike Batista ter apresentado, como garantia de suprimento volumes insuficientes de gás. Autoridades brasileiras concluíram que o volume de gás natural apresentado como suprimento da térmica Nova Venécia II em Santo Antônio dos Lopes no Maranhão não garantia o seu funcionamento na hipótese de seu uso integral durante todo o período de contratação da energia. Segundo o Ministério de Minas e Energia a MPX terá de arcar com os custos adicionais da mudança do projeto sem repassá-lo ao consumidor final.

A mentira não demorou muito, mais uma vez, mas Roseana se beneficiou dela para se eleger.

O estado prodígio com a criação de tanto emprego – 400 mil era o número prometido – virou uma tragédia, pois nem manter os empregos já criados consegue. A decadência atual em que mergulhou a economia do estado por força de um governo paralisado pela falta de projetos e pela falta de foco na solução dos nossos gargalos socioeconômicos, está conseguindo essa façanha. Isso em um momento em que quase todo o país cria empregos. O Maranhão empacado, paralisado em seu desejo de progresso e desenvolvimento, continua sem criar e, mais grave, perde empregos antes existentes. Só no mês de abril perdemos 736 empregos em relação ao mês anterior, que, por sua vez, também já tinha perdido empregos em relação ao mês anterior, e assim sucessivamente. E isso vem acontecendo mês após mês, desde meados de 2012, há quase um ano. Esses são dados oficiais do governo federal, do CAGED do Ministério do Trabalho. Impossível enganar mais.

E o quarto factoide eleitoral, o da segurança total? Bem esse virou piada. Nunca antes na história deste estado, se matou tanto, se roubou tanto, se traficou tanto como agora.

No Mapa da Violência 2013 publicado pelo jornal O Globo, o estado que apresentou maior variação na taxa de óbitos por arma de fogo a cada 100 mil habitantes, entre 2000 e 2010 foi o Pará, que teve uma taxa de crescimento do crime maior do que a do Maranhão. O campeão Pará teve uma variação 307,2% e o Maranhão aparece em segundo com 282,2%. Ou seja, se nada for feito o Maranhão em pouco tempo será o estado mais violento do Brasil. A realidade é tão diferente das promessas e enganações do governo de Roseana Sarney.

A polícia não tem apoio nenhum, e do orçamento estadual – para investimento e custeio que foi de R$ 2,4 bilhões em 2012 – a segurança pública teve apenas R$ 84 milhões enquanto a segurança privada na Secretaria de Educação gastou R$ 82 milhões. Na verdade, isso é um mistério completo por si só, e, por exemplo, a publicidade, prioridade maior desse governo gastou R$ 60 milhões. É quase mais importante do que a segurança pública. É de observar que a Secretaria de Educação gastou ao todo R$ 170 milhões dos quais R$ 82 milhões foi para “segurança privada”. Não é à toa que a educação está caindo pelas tabelas.

E para concluir, o contingente de policiais no Palácio dos Leões é de 200 policiais. Maior do que o número de policiais em serviço em mais de 97% dos municípios do Maranhão. Por quê?

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras

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