Baixa Escolaridade é a Tragédia Maranhense

José Lemos

As teorias de desenvolvimento econômico estabelecem que para haver um círculo virtuoso neste quesito, uma região tem que dispor de um estoque de capital confortável, associado ao acesso às tecnologias de ponta, preferencialmente geradas internamente, ou ter capacidade de buscá-las onde elas estiverem disponíveis. Precisa também dispor de uma estrutura de escoamento ágil para a circulação de bens e serviços. Ter capacidade de gerar energia a partir, sobretudo, de fontes não convencionais e renováveis. Mas o fator primordial para que o desenvolvimento ocorra é dispor de uma força de trabalho bem qualificada, com capacidade inventiva e facilidade de absorver conhecimentos gerados em outros locais. A ausência desse conjunto de condicionantes, fatalmente decretará à região, ao estado, ao País um atraso endêmico, penalizando a maioria da população. Contudo, mesmo nos casos de carências, sempre existirá uma minoria que conseguirá acumular riquezas materiais e poder político, ancoradas nessa maioria que ficará na dependência e na espera de migalhas advindas de “bem-feitores”.

O programa “Bolsa Família” é o exemplo atual mais bem acabado desta assertiva. Eis ai uma situação confortável para quem detém o poder político e econômico em áreas carentes, porque terá sempre uma massa cativa a referendar o seu projeto de poder.

Em alguns estados brasileiros, sobretudo os das regiões Norte e Nordeste, observa-se esse fenômeno mais nitidamente. Os casos que mais saltam aos olhos são os da Bahia e do Maranhão. Com a diferença que aqueles que dominaram política e economicamente a Bahia, por longo período de tempo, ao menos levaram algum progresso para lá. Os daqui, nada fizeram para melhorar a vida dos maranhenses. Com efeito, naquele estado está situado o município que detém o maior PIB per capita do Brasil: São Francisco do Conde que teve, em 2010, segundo o IBGE, PIB médio anual da ordem de R$ 296.884,69. A média brasileira não chegou a vinte mil reais naquele ano.

O Maranhão, que continua passando pela experiência que os baianos parecem ter superado, voltou a deter indicadores ruins, depois de uma breve bonança que começou em abril de 2002 e terminou em abril de 2009, período em que o estado se desgarrou daqueles tentáculos que o sufocam.

Celso Furtado, liderando o Grupo de Trabalho que visava estabelecer planos de desenvolvimento para o Nordeste, em meados do século passado, havia sugerido que o território maranhense, face às suas boas características climáticas e de solo, deveria ser o receptador dos excedentes populacionais tangidos pelas secas sistemáticas da porção mais crítica do semi-árido dos demais estados da região. Contudo, em vez de exercitar este papel, o Maranhão passou a ser o maior exportador de mão-de-obra não qualificada da região, inclusive para estados onde acontecem as secas. Incrível!

Nos últimos quatro anos recrudesceram, com grande virulência, os indicadores econômicos e sociais ruins, que nos devolveram à posição incômoda de estado mais carente do Brasil. Com efeito, enquanto a Bahia exibia o município com maior PIB per capita do Brasil, está no Maranhão o município com o terceiro pior PIB per capita naquele ano: São Vicente de Ferrer, com valor anual de R$2.404,20, equivalente a 0,8% de São Francisco do Conde. Dos cem municípios com os piores PIB médios do Brasil em 2010, o Maranhão é o estado com a maior quantidade. São 39 dos 217 municípios maranhenses naquele grupo nada edificante. A Bahia tinha apenas cinco (5) dos seus 417 municípios nesse grupo.

A tragédia maranhense se explica, principalmente, pelos seus críticos padrões de educação. Temos a menor escolaridade média do Brasil (6,4 anos). Em 2012, a partir dos dados da PNAD, depreende-se que os analfabetos maiores de quinze anos ascenderam para a taxa de 20,8% o equivalente a aproximadamente um milhão de analfabetos. Mas o pior ainda não foi dito.

De acordo com os dados do Censo Demográfico de 2010, um contingente de 61,5% da população maior de 25 anos do Maranhão não tem o nível elementar completo. Apenas 5,4% da população maranhense, nesta faixa etária, têm nível superior. Percentagem bem inferior à também ridícula média nacional de 13,2%. Dos 217 municípios maranhenses, em duzentos e três (203) o percentual da população maior de 25 anos não tem estudos em nível elementar completo.

Em apenas oito municípios maranhenses o percentual da população maior de 25 anos, que possui nível superior completo, supera a média estadual (5,4%). Por essas evidências depreende-se o porquê da situação do Maranhão ser tão ruim. Como há relação de dependência entre o PIB e o padrão de educação, em 2012 o Maranhão teve o menor PIB per capita entre todos os estados brasileiros. Fomos superados impiedosamente por um dos nossos parceiros de agruras, o Piauí, que nos deixou na lanterninha deste doloroso “torneio mata-mata”.

No Piauí a população maior de 25 anos com nível superior completo é de 7,3%. Alagoas, o nosso outro parceiro nessa “disputa”, tem sete por cento da sua população maior de 25 anos com nível superior. Também por isso tem PIB per capita maior do que o nosso. Pobre Maranhão! Ao menos temos o Sampaio Correa que neste ano nos tem dado alegrias. Boa sorte Tubarão!

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