Querem de novo manipular a eleição

José Reinaldo

Quem imaginou que o susto ocasionado pela iminência da cassação de Roseana Sarney, devido à aceitação pelo Ministério Público Federal da ação assinada por mim e muito bem trabalhada pelo advogado Rodrigo Lago, poderia fazer com que a oligarquia abdicasse do expediente do uso do dinheiro público para tentar ganhar eleições, apenas perdeu tempo. Isso está profundamente entranhado nas práticas daquele grupo político, não sabem viver sem isso, e novamente se organizam para tentar manipular com recursos públicos o resultado da eleição para governador no ano que vem.

Desta vez, porém, tomarão um caminho diferente da eleição passada. Caminho esse tão nefasto como o antigo procedimento.

Com efeito, não se valerão de convênios, pois chamam muito a atenção e ficam registrados, podendo tornar-se com facilidade provas contra a fraude. Eles sabem que a oposição está atenta e não deixará a prática passar.

Como farão então? A pista mais que evidente desse novo método está contida na proposta da Lei Orçamentária para 2014, sobretudo quando analisada à luz daquela de 2013.

Na comparação entre as duas últimas Leis Orçamentárias, se destaca que o orçamento será bem maior em 2014. Haverá um acréscimo de um bilhão e quarenta e dois milhões de reais. Portanto, teremos mais disponibilidade financeira. O orçamento do estado chegará em 2014 a quatorze bilhões, cento e vinte dois milhões.

Com tal montante, poderíamos resolver o problema da segurança, da educação, do abastecimento de água, do esgotamento sanitário, da poluição, do analfabetismo, dos indicadores sociais, e garantir o funcionamento pelo menos dos hospitais inaugurados e fechados no dia seguinte etc. Todavia, vejam que surpresa! Quase todos esses projetos terão menos recursos em 2014 do que já tiveram em 2013. Mas, como? É eleição, meus amigos, e quem está no governo é Roseana Sarney, que só pensa em como conseguir um mandato de senadora e, caso possível, eleger seu candidato ao governo. Esse último projeto evidentemente com muito menor prioridade, já que seu candidato patina na aprovação.

Então vamos aos números da proposta:

A Caema perde 79 milhões. Perde! A Secretaria da Educação perde 23 milhões e 400 mil; a Erradicação do Analfabetismo, que tinha em 2013 sete milhões e quatrocentos mil, fica com apenas duzentos e cinquenta mil! Educação com ela é mesmo grande prioridade…

O Combate ao Analfabetismo Absoluto, que teve em 2013 novecentos mil, fica só com cem mil. E olhe lá. A Secretaria de Segurança Pública, que tinha trezentos e dez milhões, neste ano vai ter que se virar com míseros cento e trinta e um milhões. Como vai ser? Só Roseana sabe… Que irresponsabilidade!

Já a Secretaria de Comunicação, grande prioridade dos donos da Mirante, essa vai ter mais seis milhões e vinte e três mil no ano que vem.

O Planejamento terá um enorme acréscimo; afinal, é preciso planejar sei lá o quê… Terá mais setecentos e dezenove milhões. Passará de duzentos e quatorze milhões para novecentos e trinta e três milhões. Com certeza o que nos parece é que funcionará na verdade como caixa reserva eleitoral…

Continuando, o Turismo perderá três milhões e oitocentos, o Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar perderá nove milhões e trezentos mil, a Secretaria das Cidades e Desenvolvimento Urbano perderá setenta e um milhões, a Ciência e Tecnologia, seiscentos e vinte mil e Indústria e Comercio perderá um milhão trezentos e cinquenta mil reais. Por fim, a Fapema perderá oito milhões e oitenta mil reais.

Agora pensem comigo: Se praticamente todas as áreas tiveram seu quinhão diminuído e o orçamento é bem maior do que o do ano passado, para onde então vai o dinheiro? Ora, meus amigos, vai para o candidato Luis Fernando. Ou seja, para a Secretaria de Infraestrutura, naturalmente.

Essa secretaria passará de duzentos e cinquenta e nove milhões para seiscentos e noventa e três milhões. Um acréscimo eleitoral de quatrocentos e trinta e três milhões e quinhentos mil reais.

Desta maneira, desenha-se nitidamente como se dará a inevitável tentativa de abuso de poder econômico da oligarquia. Temos que estar muito atentos às licitações que serão feitas para obras, estradas, asfaltos, para que não se embutam nos preços um sobrepreço gigantesco que poderá ir para a eleição. Os parâmetros que nós da oposição utilizaremos serão os preços do DNIT, órgão federal que constrói estradas de classificação de primeira classe, enquanto que aqui são de terceira. O preço por quilometro terá que ser bem menor ou então haverá sobrepreço na contratação. A oposição está preparada e pronta para denunciar qualquer ocorrência nesse sentido e escandalizar nacionalmente a tentativa. Não ficará barato.

Depois não digam que não foram avisados.

O Maranhão precisa fazer eleições limpas. Será que isso só virá quando a oposição eleger Flávio Dino? Vejam que prejuízo para a população, pois esse dinheiro deixará de ser usado em benefício dela…

O dinheiro público não pode ser usado financiar a eleição do candidato da oligarquia! Por essas e por outras posturas que adotam é que a população do Maranhão é a mais pobre e desassistida do país…

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *