Flávio Dino: Saída de Sarney equilibra disputas em MA e AP

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Publicado originalmente no Portal Terra, Terra Magazine, por Sérgio Rodas Oliveira

Principal candidato de oposição à família Sarney no Maranhão (e talvez o único, uma vez que somente o PSOL deve lançar um postulante ao governo do estado), o ex-deputado federal e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) Flávio Dino demonstrou esperança que a desistência do senador José Sarney (PMDB-AP) de concorrer à reeleição, anunciada na segunda-feira (23), traga mudanças nos cenários políticos maranhense e amapaense.

“Eles [os Sarney] mantinham um domínio no Amapá e no Maranhão baseado na esfera nacional, uma vez que o José Sarney apoiou todos os governos federais desde o do Juscelino Kubitschek (1956-1961). Com o fim desse poder federal, a balança da disputa política nos estados ficará menos desigual e mais igualitária”, opina Dino.

O pré-candidato do PCdoB a governador do Maranhão também disse que tem a expectativa de que a aposentadoria de Sarney dos cargos públicos possibilite o desenvolvimento do estado, um dos mais atrasados do Brasil. Segundo Dino, é hora de “acabar com a lógica do compadrio [instituída pelos Sarney], e implantar um ambiente favorável que negócios”.

Embora José Sarney, que tem 84 anos, tenha divulgado publicamente que a razão de encerrar a sua carreira política se deva à sua saúde frágil, o motivo verdadeiro parece ser outro: o medo de perder a reeleição ao Senado, que inclusive teria sido confidenciado por ele a aliados. Para Flávio Dino, a decisão do ex-presidente da República deriva da perda de apoio popular.

“No Amapá, houve o desgaste com prisão do [ex-governador] Waldez Góes, que era aliado do Sarney. No Maranhão, o episódio do presídio de Pedrinhas, no começo do ano, forçou a Roseana [filha de José Sarney] a desistir de sua candidatura ao Senado”, avalia Dino.

Flávio Dino não acredita que o fim da vida pública de José Sarney baste para melhorar o funcionamento da política no país. Mas ele afirma que a ausência da “raposa tradicional” “pode abrir o caminho da mudança no jogo político brasileiro”, uma vez que ele “é uma peça importante de uma engrenagem baseada no fisiologismo, no compadrio, nas chantagens com o governo federal”.

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