“Outubro Róseo”: Vamos Abraçar Esta Causa!

José Lemos*

Neste mês de outubro, e no próximo mês de novembro, a comunidade médica sugere para todos nós fazermos um mutirão para esclarecer, da forma mais ampla e direta possível, duas espécies de cânceres que acometem mulheres e homens. Agora estamos no “Outubro Róseo” em campanha de prevenção do câncer de mama. Em novembro (“Novembro Azul”) a campanha será para prevenir o câncer de próstata.

Neste texto de hoje utilizo este espaço privilegiado de que disponho para deixar claro aos meus leitores o meu engajamento na campanha de prevenção do câncer de mama, que pode ser letal se não diagnosticado precocemente, mas que pode se transformar em apenas num lapso de susto caso seja detectado nos seus primórdios.

Os leitores que me acompanham nesta coluna desde abril de 2004 sabem que não tenho formação na área de saúde, embora tivesse sido este o meu sonho frustrado de jovem pobre em São Luís. Mas eu estou atento aos problemas relacionados a ela, até porque eu tenho uma verdadeira obsessão pela busca de vida saudável.

No caso específico destes dois tipos de câncer (mama e próstata) eu vivenciei, em mais de uma oportunidade, gente muito próxima de mim, padecer de ambos. Quem me conhece mais de perto sabe do que eu estou falando. Também por isso não posso ficar omisso à causa.

Este texto foi escrito com base em informações que busquei com especialistas naqueles momentos difíceis em que a doença havia se instalado muito próximo de mim. Tomei base em documentos científicos. Inclusive em Tese de Doutorado que tratava do tema e que foi defendida na USP (que li e dei opiniões). Leio costumeiramente artigos científicos publicados em revistas cientificas do Brasil e do mundo.

Assim, não me considero um aventureiro nos temas. Apenas um não especialista que estuda movido por curiosidade, que foi motivada pela proximidade da doença em gente que me foi e é muito cara. Porque há uma verdade definitiva envolvendo o tema: câncer, qualquer um, não deve ser ignorada a possibilidade de bater um dia na nossa porta. Será um equivoco enorme imaginarmos que ele apenas chegará à casa do vizinho.

Algumas das causas do câncer de mama estão relacionadas à herança genética. Mulheres que menstruaram antes dos doze (12) anos e aquelas que param de menstruar depois dos 55 também tem predisposição a contraírem o câncer de mama. Estes fatores (os genéticos) são inevitáveis.

Contudo, mesmo quando a mulher traz a predisposição para desenvolver o câncer de mama, ensinam os especialistas, será possível contornar e evitar maiores problemas. E o caminho (o artigo é definido) é o diagnóstico precoce. Feito por especialista. Com ele, o diagnostico precoce, pode garantir sobrevida saudável e evitar a possibilidade de mutilações, que são procedimentos invasivos, dolorosos e que podem provocar queda na autoestima da mulher, além de distúrbios psicológicos. Além dos aspectos genéticos, que a mulher não terá como driblar, mas de antever se for precavida, existem os fatores ambientais que estão relacionados ao estilo de vida. Sobre este a mulher tem toda autonomia.

Uma das causas de todos os tipos de câncer é o estresse. Sabemos que é difícil contornar esse inimigo, sobretudo na vida agitada de cidades de porte médio ou grande. Mas a mulher precisará ter a sabedoria de minimizar os seus efeitos no seu organismo, buscando viver, no dia a dia, momentos que possam neutralizar a carga estressante. Praticar exercícios físicos com regularidade, dançar, manter relacionamento afetivo, ter sempre pessoas de quem gosta por perto…

Os especialistas ensinam que alguns dos fatores ambientais evitáveis que estão associados ao surgimento do câncer de mama são: sobrepeso, motivado por vida sedentária. Alimentação inadequada rica em enlatados, empacotados e engarrafados. Gorduras, carnes vermelhas em excesso, “fast foods”, tabagismo, álcool, açúcar e sal são vilões que precisam ser evitados. Uso de pílulas anticoncepcionais por longo período de tempo.

Há outras formas contraceptivas, como a vasectomia do parceiro, por exemplo. O ônus de prevenir a gravidez não pode recair apenas sobre a mulher. A detecção precoce é fundamental. Pode ser conseguida adotando a auto-apalpação como hábito. Mas pode ser feita pelo parceiro nos momentos de intimidade do casal, quando a mulher tem companheiro.

Qualquer nódulo, por menor que seja, deve acender a luz amarela. Mas o teste definitivo é sempre a mamografia regular. Óbvio que o “Outubro Róseo” é apenas um mês dedicado a jogar luzes sobre um problema que é de todos nós durante todos os meses do ano. Nossas companheiras, nossas mães, nossas irmãs, nossas filhas, precisam estar saudáveis para partilharmos com elas momentos de alegria. Então esta campanha também é nossa. Vamos nessa!

*Professor Titular e Coordenador do Laboratório do Semiárido (LabSar) na Universidade Federal do Ceará.

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