Pães que alimentam sonhos

untitledROBSON PAZ

Na semana passada tivemos as comemorações pelo Dia da Criança. Momento de elevada importância e propício para reflexão acerca do nosso presente e futuro. Nestes dias, uma notícia entre tantas chamou a atenção pelo teor simbólico. “Pães produzidos no sistema prisional são doados para evento do Dia das Crianças”. Aparentemente, apenas mais uma entre tantas informações que inundam nosso cotidiano.

Mas, a singela notícia traz muito mais que a simples informação em si mesma. Há muitos significados nesta iniciativa. Primeiro, temos o resultado prático do trabalho de ressocialização de apenados em curso no sistema penitenciário do Estado. A despeito do caos que predominava no complexo prisional até 2014, há uma série de medidas em execução, que visam disciplinar e humanizar o sistema.

Parte dos presos que antes comandava as unidades prisionais agora participam de projetos de ressocialização em fábrica de bloquetes, de calçados, pães, entre outras. Cerca de 1.400 apenados estão inseridos neste processo. Alento para a população carcerária que vivia em ambiente de completa desesperança e para milhares de maranhenses que vêem em atitudes com esta alternativa para redução da violência, proveniente dos presídios.

É visível o trabalho para melhorar a política prisional. O atual governo ampliou em mais de 1.800 vagas e está descentralizando o sistema com a construção de unidades prisionais nos municípios de Imperatriz, Açailândia, Pedreiras, Balsas e Pinheiro; substituiu as terceirizações por concursos e seletivos para a contratação de mais de 3 mil agentes penitenciários. Na última semana, mais um passo importante foi dado pelo governador Flávio Dino para estruturar o sistema penitenciário. Foram entregues 30 novas viaturas, que atendem as unidades prisionais de São Luís e do interior do Estado.

Todo este conjunto de medidas reduziu em 75% e 100% os índices de fugas e mortes no complexo de Pedrinhas, respectivamente. Feito significativo considerando as rebeliões e decapitações antes existentes com certa regularidade no sistema prisional.

O segundo significado é a dimensão do trabalho para debelar as causas, a carência de políticas públicas sociais voltadas para a população mais pobre do Estado. É exatamente neste vértice que se encontra a importância da ação que beneficiou mais de mil crianças da escola da zona rural de São Luís. Não pelo ato em si, mas pela política inclusiva ora desenvolvida pelo Estado.

Terceiro significado também de grande relevo é a parceria entre governo do Estado e Prefeitura de São Luís. A iniciativa conjunta desde a capacitação dos apenados até a destinação para os alunos da rede municipal realça a importância do poder público agir de forma compartilhada para dotar a população de políticas sociais includentes e estruturantes. Somente com investimentos em educação de qualidade, apoio à agricultura familiar, melhor infraestrutura, segurança e saúde as crianças de hoje não serão reféns do crime e da violência amanhã.

Muito bom ver o fruto da ressocialização saciando a fome e sede de justiça. Isto nos faz acreditar em dias melhores, em que os pães da liberdade alimentarão o sonho de termos uma sociedade mais fraterna e justa.

Radialista, jornalista. Subsecretário de Comunicação Social e Assuntos Políticos

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