Risco de direitização?

Robson PazROBSON PAZ

A política brasileira pós-Lava Jato é uma incógnita. A pouco mais de um ano das eleições presidenciais não há prognósticos confiáveis. As principais lideranças e partidos políticos do país estão envoltos na operação, que deixou o Brasil num mar de instabilidade política, econômica e institucional.

Os partidos – PT, PSDB, PMDB – que protagonizaram todas as eleições, após a redemocratização do Brasil, têm seus líderes alvos de denúncias. Aqui não cabe julgar se procedentes ou não. Do petrolão do PT, ao propinão do PSDB e agora o quadrilhão do PMDB. Só há escombros na guerra pelo poder no país.

Não bastassem as denúncias da Lava Jato, que implodiram ou ameaçam implodir candidaturas postas como certas a exemplo do ex-presidente Lula e do tucano Aécio Neves, há no bunker dos partidos, que hegemonizaram as últimas disputas, uma guerra fria interna pela herança das ruínas partidárias.

No campo progressista, caso se inviabilize a candidatura Lula, sobram generais prontos e liderarem novas batalhas. Contudo, dificilmente capazes de aglutinar as forças de centro-esquerda. Há duas pré-candidaturas postas: Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT). E pouca predisposição de construir a unidade. Diante da indecisão, PCdoB e PSB poderão avançar em faixas próprias.

Se na frente progressista há indefinição, não menos complexo está o quartel de centro-direita. O governador de São Paulo, Geraldo Alckimin (PSDB), que também tem contra si citações no âmbito da operação Lava Jato, tenta unir as forças conservadoras. Não encontra consenso nem mesmo no PSDB, que tem no prefeito de São Paulo, João Dória, outro pré-candidato em campanha aberta em viagens pelo país.

Outros dois postulantes, não menos implicados na Lava Jato, o senador José Serra (PSDB) e o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, trabalham sem fazer alarde para montar suas tropas. Meireles colocou a infantaria do PSD para testar a viabilidade de sua pré-candidatura. Além das ligações com a JBS, pesam contra o ministro a monumental rejeição do presidente Michel Temer, acusado pela Procuradoria Geral da República (PGR) de comandar uma organização criminosa.

Neste campo minado de absoluta indefinição, restam poucas certezas: o crescimento do sentimento antipolítica, estimulado pela cobertura cinematográfica dos escândalos de corrupção pela grande mídia e a pré-candidatura de ultradireita de Jair Bolsonaro (PEN). Poucos em sã consciência podem conceber o país governado por perfil tão ultrapassado e reacionário.

No entanto, a crise política, econômica e institucional do país cria ambiente propício para o surgimento de franco-atiradores ou para melhor entendimento: aproveitadores. Políticos que se apresentam “contra tudo isso que está aí”, embora na essência sejam semelhantes ou mesmo piores nas ideias e práticas. Verdadeiros cavalos de tróia a enganar um eleitorado cético, mas em busca de um “super herói”.

É algo distante da realidade? Pode ser. Mas, o risco da direitização extrema do país precisa ser alvo de preocupação dos brasileiros. O fascismo está à espreita esperando a oportunidade para o ataque final. O Brasil não suporta mais retrocesso.

Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.

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