Apoio aos empresários do Maranhão

Por Flávio Dino

Foto_KarlosGeromy-Governando-Juntos-Encontro-de-Prefeitos-Eleitos-e-Reeleitos-5-260x170Coube-nos governar nosso Estado numa das fases mais difíceis da história do Brasil. Somam-se recessão econômica, crise política e institucional, com severas repercussões fiscais e sociais, em todo o país. Para enfrentar mares tão bravios, é preciso ter firmeza no leme, sabedoria na navegação e muita união de todos que estão no mesmo barco.

A união que temos buscado não é fruto da ausência de divergências, mas sim da priorização das convergências possíveis, mediante amplo diálogo. Temos exercido esse método por vários caminhos: orçamento participativo, fóruns, seminários, conferências, conselhos, caravanas.

Esta semana, demos mais um passo na concretização desse método de governo. Em evento com empresários na FIEMA, em 2014, assumi o compromisso de manter o diálogo aberto com o setor para criar um ambiente de negócios favorável a todos, com total respeito à legalidade. É o que temos feito desde o início e agora aprofundamos com a Caravana pelo Desenvolvimento Empresarial.

Logo no primeiro mês de governo, criei o Conselho Empresarial do Maranhão, reunindo as principais instituições estaduais do setor para debater formas de ampliar o desenvolvimento de nosso estado. Neste fórum, debatemos diversas medidas tomadas por nosso governo, como o Programa Mais Empresas, a revisão da tabela do SIMPLES, incentivos fiscais setoriais e simplificação de procedimentos de licença ambiental.

Nos diálogos com os empresários, também temos tratado da necessária responsabilidade fiscal, especialmente nessa hora de crise tão aguda. Fico satisfeito de saber que estamos no caminho certo quando vemos que a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) nos coloca em 2° lugar no ranking dos estados com melhor situação fiscal. Essa gestão responsável, cortando desperdícios, é que tem nos permitido atravessar a crise nacional sem os mesmos infortúnios de outros estados, que convivem com atrasos de salários e cortes de serviços essenciais.

A responsabilidade fiscal é fundamental para a sociedade, pois imaginemos os efeitos sobre o comércio maranhense se o Estado não pagasse os seus servidores públicos. Ou se paralisássemos as 890 obras que mantemos, imprescindíveis para a geração de oportunidades para milhares de empresas e trabalhadores. Nossa disciplina fiscal também tem garantido a ampliação de serviços públicos e investimentos. Hoje temos mais escolas, policiais, hospitais, viaturas policiais, ambulâncias, unidades do VIVA e restaurantes populares do que no passado.

Visando ampliar esses avanços, demos início esta semana à Caravana pelo Desenvolvimento Empresarial, que percorrerá 20 cidades de todas as regiões para ouvir dos empresários sugestões de parcerias visando ao crescimento de nosso estado.

As Caravanas também são um momento de apresentar aos empresários nosso novo programa, o Maranhão Juro Zero. Por meio dele, o Governo do Maranhão irá cobrir os gastos com juros em empréstimos junto ao Banco do Brasil para micro e pequenos empresários. Com essa ação, pretendemos movimentar R$ 92 milhões na economia do estado.  O programa é dividido entre as 21 microrregiões do estado, proporcionalmente ao número de empresas ativas.

Com ações como essas e dialogando com os empresários nas Caravanas, vamos criando um ambiente de negócios mais equânime a todos. Sem favorecimentos ou privilégios típicos do passado (que não voltará). Convido a todos os empresários do Maranhão a participar das próximas edições da Caravana Empresarial, participando da construção de um Maranhão de Todos Nós.

Advogado, 49 anos, Governador do Maranhão. Foi presidente da Embratur, deputado federal e juiz federal.


Dilema da direita

untitledROBSON PAZ

A direita conservadora do país está diante de um dilema. O que fazer com o ex-presidente Lula? Prisão? Cassar os direitos políticos? Haverá provas de sua culpabilidade? Seja qual for a alternativa, resta uma certeza: os responsáveis pelo afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República estão preocupados. Por uma razão muito simples. O país vai muito mal na política e na economia. Por outro lado, o ex-presidente Lula cresce cada vez mais nas pesquisas de intenções de votos. A despeito do massacre midiático diário a que está submetido, há mais de dois anos.

A julgar pela repercussão nas redes sociais, na imprensa internacional e nas conversas de feiras, o depoimento do ex-presidente ao juiz Sérgio Moro reacendeu a chama que mantém a pré-candidatura de Lula como farol das forças democráticas, populares e progressistas do país.

A escassez de provas concretas e cabais contra Lula tornam as chances de condenação e consequente prisão do líder petista praticamente nulas. Por isso mesmo, o ex-presidente avança no espectro eleitoral.

Resta à retrógrada direita apostar na cassação dos direitos políticos de Lula evitando assim que este seja candidato a presidente em 2018. Seria esta uma opção arriscada, mas não impossível para os patrocinadores do impeachment sem crime de responsabilidade.

Esta possibilidade, contudo, não parece capaz de oferecer segurança à elite e seus satélites partidários – PSDB, PMDB e DEM. Por uma razão muito singela: seus candidatos prediletos Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra têm pífio desempenho junto ao eleitorado. Não por acaso, João Dória e Luciano Huck são postos como alternativas por parte da grande mídia.

Com Lula fora da disputa, os candidatos poderiam crescer é verdade. Contudo, ainda que Lula tenha os direitos políticos cassados, este não perde a condição de atuar politicamente em favor de um candidato. Para quem elegeu a ex-presidenta Dilma Rousseff por duas vezes não parece ser algo tão complexo conquistar mais uma vitória eleitoral. E quais seriam os nomes mais competitivos na esquerda? Ciro Gomes (PDT), Flávio Dino (PCdoB) e Fernando Haddad (PT). Destes, apenas o governador do Maranhão abdicou da condição de pré-candidato. Ciro tenta viabilizar-se e Haddad aguarda convocação do PT.

A hipótese cada vez mais provável de que Lula seja inocentado seria o golpe de misericórdia nas pretensões dos conservadores. Isto é mensurado constantemente por pesquisas. Estas apontam que a população brasileira está com a memória muito viva. Não por acaso, políticos que apoiaram o impeachment tem sido alvo de apupos pelo país.

Todos concordam que o Brasil precisa se reencontrar, reinventar, especialmente no campo político. Lula em certa medida representa o período da redução das desigualdades, geração de emprego e investimento em políticas públicas.

Comportamentos exemplares como de alunos que relatam aos pais notas baixas, mau comportamento na escola deveriam ser seguidos por investigadores que insistem em conduzir seletivamente investigações. Enquanto, isso sua excelência o povo toma partido do Brasil de verdade.

Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Desatenção federal

untitledROBSON PAZ

Estradas federais deterioradas. Duplicação da BR-135 paralisada. Minha Casa Minha Vida em marcha lenta. Ameaça de cortes em recursos da saúde e educação. É grave a política reducionista de investimentos e a desatenção do governo federal com a população maranhense.

Parte das rodovias federais, que cortam o Estado, está com a estrutura comprometida e pondo em risco a vida de condutores. Mas, o símbolo maior da inação do governo federal, é o trecho inconcluso da BR-135, do Campo de Peris à Bacabeira. A obra iniciada, há cerca de cinco anos, foi paralisada pela enésima vez. Nem as centenas de vidas ceifadas no local parecem suficientes para sensibilizar as autoridades federais.

A cada nova tragédia o assunto volta à tona. Na prática, pouco tem sido feito para concluir a obra. O governador Flávio Dino propôs que União transfira a responsabilidade pela conclusão da rodovia ao governo do Estado. Em vão.

Ao assumir o governo, o presidente Michel Temer enviou ao Maranhão o ministro dos Transportes, que visitou o aludido trecho da BR-135. No entanto, a realidade é a mesma. Abandono do canteiro de obras e o perigo constante rondando a estrada, esburacada, sem iluminação, acostamento e animais pela pista. Convite ao infortúnio.

A paralisação das obras do “Minha Casa Minha Vida” tem duplo prejuízo para os maranhenses. Primeiro, porque cidadãos de baixa renda, sem acesso à casa própria têm dificultado o sonho de deixar o aluguel ou a moradia em condições subhumanas. Depois, a escassez dos postos de trabalho advindos da construção civil. Em conseqüência perde também o comércio face à redução do poder de compra dos trabalhadores. Ciclo que compromete em grande medida a atividade econômica.

Não bastasse isso, recentemente, o governo federal ameaçou cortar recursos de duas áreas vitais para o desenvolvimento do Estado. Na educação, corte de R$ 224 milhões com a antecipação do pagamento de repasses feitos ao governo do Estado pela União. Na saúde, redução em R$ 7,5 milhões nos repasses para média e alta complexidade dos municípios de São Luís, Imperatriz, São José de Ribamar, Amarante do Maranhão.

Em ambos os casos, as medidas drásticas e danosas para o Estado só não foram efetivadas devido à ação firme da bancada federal, na Câmara dos Deputados, coordenada pelo deputado federal Rubens Júnior (PCdoB).

A despeito do festejado prestígio político de velhas raposas políticas junto ao presidente Michel Temer, os maranhenses tem experimentado um dos menores investimentos federais, no Estado. Até parece que o tal prestígio funciona às avessas. Nunca é demais lembrar a luta travada pelo governo do Maranhão, no Senado Federal, em meados da década passada, para liberar um simples empréstimo junto ao Banco Mundial para combater a pobreza extrema.

Hora da bancada federal, população e todas as forças políticas progressistas unirem-se para exigir do governo federal a atenção que nosso Estado merece.

Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Maio Amarelo

Por Flávio Dino

Acidentes de avião causam imensa comoção, o que está certo. O estranho é que nas estradas e ruas morre muito mais gente, e há uma naturalização desses índices absurdos, que colocam o trânsito no Brasil entre os cinco piores do mundo.00710_bate_papo_com_o_governador_Flavio-Dino-foto_gilson_teixeira_9_6214427958782147792-633x390

Esta semana, demos início à nossa mobilização por segurança no trânsito que marca o Maio Amarelo, sob a coordenação do DETRAN. O primeiro objetivo é exatamente chamar atenção para o problema, pois se não reconhecemos que ele existe, é claro que não daremos o adequado combate. Por isso, foi lançada uma campanha publicitária nas TVs, rádios, redes sociais e nas ruas que irá conscientizar os motoristas sobre a necessidade de tomar decisões corretas, preservando tanto a própria vida, quanto a de outras pessoas.

Essas ações de conscientização não se restringem ao mês de maio. Para garantir a segurança no trânsito, o Governo do Maranhão tem tomado medidas educativas ao longo do ano inteiro, por exemplo nas escolas. E foi o que ocorreu no Carnaval, quando entregamos 450 mil kits informativos com dicas de segurança viária, ação que se repetirá nas nossas festas juninas, que se aproximam.

Intensificamos a fiscalização e controle do trânsito nas cidades, a fim de garantir o transporte seguro de todos os cidadãos. Em nosso primeiro ano de governo, foram 120 operações da Lei Seca em todo o estado e, no ano passado, mais 151. Um aumento de 1.800% em relação ao último ano da gestão anterior quando foram realizadas apenas 8 operações.

Essas ações já vêm resultando no aumento da segurança no trânsito. Em 2016, tivemos 10 mil acidentes registrados em todo o estado. Uma redução de 40% em relação aos 16 mil acidentes ocorridos em 2014, último ano da gestão anterior.

Se atentarmos para o número de acidentes fatais, a notícia é ainda mais alentadora. As mortes decorrentes do trânsito caíram de 940 no governo passado (2014) para 849 em 2016. Com isso, ao todo, foram 188 vidas salvas nos dois primeiros anos de nossa gestão (2015 e 2016).

Esses números comprovam que fazemos um governo que trabalha em prol do bem máximo: a vida. Com a contratação de profissionais de segurança, que elevou nosso efetivo para 12 mil policiais, e a entrega de mais de 570 viaturas, estamos aumentando a presença das forças de segurança em nossas cidades, o que se reflete também no trânsito.

Essas ações são fruto do compromisso que temos com a qualidade de vida de todos os maranhenses, baseado no princípio do bem comum. Vivemos dias tristes em todo o mundo, com o crescimento do ódio e da intolerância, em que se faz necessário até lembrar o óbvio: que a solidariedade, além de nos fazer bem ao coração, é um princípio essencial para garantir a sobrevivência coletiva.

Nossa campanha do Maio Amarelo vai nesse sentido, conscientizando que há pessoas dentro de cada veículo. São outros cidadãos, como nós, seres humanos que merecem o máximo respeito, independente de suas visões de mundo, crenças espirituais ou modos de vida. Convido todos a conviver com gentileza no trânsito, para sermos agentes de um modo de vida solidário.

Advogado, 49 anos, Governador do Maranhão. Foi presidente da Embratur, deputado federal e juiz federal.


A verdadeira agenda

8c37c86b-0047-4baa-9c0c-831250c1cd91-260x170Por Flávio Dino

A greve geral que parou o Brasil nesta sexta-feira já entrou para a história como uma das principais mobilizações políticas de nosso país. Como cidadão, lamento muito que medidas extremas como essas estejam sendo necessárias, por falta de diálogo e de adequada compreensão acerca de qual a melhor agenda para o Brasil sair da crise.

Além do vigor de nossa sociedade civil, essa manifestação emite dois sinais essenciais para pensar o Brasil hoje. Em primeiro lugar, foi uma mensagem eloqüente de que a imensa maioria da população, que vive exclusivamente das rendas do trabalho, não aceitará pagar o preço da crise econômica por meio do corte unilateral de direitos. É também uma mensagem a todas as instituições do mundo político: é hora de abrir o diálogo com a sociedade, pois somente ditaduras impõem suas vontades contra a Constituição.

Ficou evidente a rejeição ampla a uma pauta errada que tentam fazer passar pelo Congresso Nacional e que nada tem de moderna. Com efeito, moderno mesmo seria tributar os lucros dos bancos, as rendas do capital e as heranças dos milionários, como a maioria dos países do mundo faz, inclusive na Europa e nos Estados Unidos. Moderno mesmo seria rever aposentadorias de privilegiados que ganham R$ 70 mil por mês ou até mais, e ainda se acham com direito de condenar quem está defendendo seu benefício de 1 salário mínimo.

Para além da questão humanitária e de justiça social, tampouco há razão econômica para as reformas colocadas em pauta. É inútil o esforço de tentar convencer a população de que ela precisa de menos direitos para gerar mais empregos. Há poucos anos atrás, tivemos a menor taxa de desemprego da história do país em plena vigência da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Isso porque, em um amplo mercado de consumo como o Brasil, quanto mais dinheiro circular na economia, maior será o efeito positivo para todos. Mesmo no terrível período da ditadura militar, houve crescimento econômico sem mexer na CLT.

Portanto, não iremos superar uma de nossas maiores crises econômicas com restrição de direitos. Simplesmente porque elas reduzem os ganhos dos trabalhadores e jogam o país em um ciclo depressivo. E o resultado é o que estamos a assistir: desemprego derruba consumo, que derruba arrecadação, o que alimenta crise fiscal e faz faltar dinheiro para investimentos públicos. E sem investimentos públicos, a economia não cresce, em país nenhum.

Para além do debate sobre as pautas da Greve Geral, há uma mensagem que se impõe de forma límpida. A de que é o momento dos agentes políticos, de todos os campos ideológicos, atinarem-se para a necessidade de ponderação.

Nossa missão, como políticos, deve ser a de buscar construir um mundo de justiça para todos. Aprofundar as desigualdades, em um país tão desigual como o nosso, não nos levará a bom termo. Precisamos ir em direção a outra agenda, de uma verdadeira reforma tributária que corrija as graves distorções em nosso país. Vejam que no Maranhão, só de fraudes fiscais, encontramos cerca de R$ 1 bilhão subtraídos, que poderiam ter virado saúde, policiais e escolas.

É preciso que as instituições do mundo político suspendam essa agenda errada das “reformas” e dialoguem mais. Mudanças legais podem ser feitas, mas em outro ritmo e de outra forma. Aqueles que, nesse momento, apostam na destruição da política terão apenas mais do mesmo: um país polarizado e sem instâncias organizadas de mediação. Quanto mais medidas de confronto, mais o país sofrerá e irá demorar a se livrar dessa devastadora crise que já chega a 14 milhões de desempregados. A paz é fruto da justiça, e é disso que o Brasil precisa agora.

Advogado, 49 anos, Governador do Maranhão. Foi presidente da Embratur, deputado federal e juiz federal.


Respeito às regras e abuso de autoridade

untitledROBSON PAZ

Mergulhado em profunda crise institucional, política e econômica, o Brasil vê regras e princípios constitucionais serem ignorados e por vezes desrespeitados. Precedente preocupante e perigoso para nossa jovem democracia.

Vimos a presidenta da República Dilma Rousseff, eleita democraticamente por mais de 50 milhões de brasileiros, afastada sem que contra esta restasse provado qualquer crime, conforme prevê a Constituição Federal.

A patranha política, reconhecida em recente entrevista em rede nacional de TV pelo sucessor Michel Temer, foi levada a cabo sob olhares complacentes do Judiciário. Irônica e coincidentemente, coube ao presidente afirmar com todas as letras que o impeachment de Dilma não se deu por ilícito cometido, mas em face desta não assegurar ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), os votos do PT no Conselho de Ética necessários para arquivar processo por quebra de decoro contra este.

Em retaliação, o ex-deputado, hoje preso de Justiça em Curitiba, comandou o processo de cassação. Óbvio que para isto contou com cúmplices importantes em vários setores da elite nacional, como o grande capital financeiro, redes poderosas de comunicação, políticos influentes e outros atores.

Mas, este por certo, não é o único caso de desrespeito ao regramento legal vigente no país. Mesmo a festejada “Lava Jato” parece deixar de lado marcos legais, em nome de justiçamentos. A folclórica entrevista em que procuradores e delegados apresentaram Power Point repleto de setas apontadas para o nome do ex-presidente Lula e a célebre frase de terem convicção da participação do petista em esquema para desvio de bilhões de reais é exemplo concreto dos exageros perpetrados em nome da justiça.

Ocorre que para a justiça não bastam convicções. Necessário ter provas de participação dos envolvidos. É a própria Carta Magna que prevê entre as garantias constitucionais a presunção da inocência. “Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”, estabelece a Constituição Federal em seu 5º, inciso LVII. Esta situação, em tese, evita a aplicação errônea das sanções punitivas previstas no ordenamento jurídico. Ainda garante ao acusado um julgamento de forma justa em respeito à dignidade da pessoa humana. Platão sentenciou que “juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis”.

O Brasil destes tempos parece estar tomado pelo oposto. Antes, condena-se na tabelinha da espetacularização mídia e Judiciário. Depois, prova-se ou não a culpabilidade do acusado. No entanto, este culpado ou inocente já está condenado pela opinião pública.

Péssimos exemplos que fazem grassar o desrespeito às regras em todos os níveis. Por mais simples e insignificante que possa parecer até no futebol, paixão maior dos brasileiros, vê-se absurdos serem cometidos. No futebol do Maranhão, recentemente, as regras válidas até poucos dias deixaram de ser obedecidas.

Que esta prática não evolua, pois do contrário caminharemos a passos largos para a anarquia.

Montesquieu sabiamente afirmava que ao visitar um país não examinava se havia boas leis, mas se as leis existentes são executadas. Nada mais oportuno, pois, a discussão sobre a lei de abuso de autoridade em tramitação no Congresso Nacional.

Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Rádio Timbira AM.


Maranhão Digno

Por Flávio Dino

uniformeEstive esta semana em 3 municípios que recebem ações do Plano Mais IDH, nosso programa voltado para as 30 cidades maranhenses de menor Índice de Desenvolvimento Humano. Pude ver com meus próprios olhos e no olhar de cada pessoa a mudança que está ocorrendo em Arame, Jenipapo dos Vieiras e Itaipava do Grajaú. E como é recompensador ver que o esforço diário de nossa equipe está se convertendo em condições melhores para quem mais precisa.

Nas 3 cidades, encontrei com profissionais da Força Estadual de Saúde, nossa equipe de 120 profissionais da saúde que atendem essas 30 cidades. Em um ano de trabalho, eles já fizeram mais de 500.000 atendimentos, a maioria domiciliares, em povoados nunca antes alcançados dessa forma. É uma nova maneira de pensar e fazer ações de saúde, focando a prevenção e a busca ativa de pessoas que nunca tinham passado por uma consulta médica.

Nesses três municípios e nos demais, estamos dando início a obras de abastecimento d’água, no âmbito do nosso programa Água para Todos. Em Jenipapo, assinei Ordem de Serviço para obras no valor de R$ 879 mil que irão atender uma população de mais de 15 mil pessoas. Em Itaipava, assinei ordem de serviço para perfurar dois poços; implantar 8 mil metros de rede de distribuição e instalação de mais de 6 mil ligações domiciliares. Em Arame, estamos construindo 70 cisternas, além de sistemas em povoados, de um total de 4.000 cisternas que conseguimos em parceria com o Governo Federal.

Outro investimento em obras que geram dignidade foi a entrega dos 70 quilômetros de asfalto da MA-329, que liga a sede de Itaipava ao Entroncamento na BR-226. Parte dos 2 mil quilômetros do Programa Mais Asfalto, essas obras são fundamentais para garantia de direitos como acesso à saúde e outros serviços públicos, além de melhorarem a atividade econômica das cidades beneficiadas.

Comecei por essas cidades a entrega dos 700.000 fardamentos para nossos alunos da rede estadual de ensino. Essa ação tem um duplo benefício: é um incentivo para as empresas maranhenses que foram contratadas para confeccionar os uniformes e é um direito a mais para nossas crianças e jovens, sem onerar as famílias em momento de crise.

Dignidade também é a palavra que define a nova escola que entregamos em Jenipapo dos Vieiras, o Centro de Ensino Prof. Galeno Edgar Brandes. Construída com investimento de R$ 843 mil, a unidade de ensino conta com biblioteca, laboratório de informática e seis salas de aula para atender aos estudantes.

E é dignidade o que trabalhamos para garantir, ao realizar em Arame e outras 10 cidades neste final de semana a Caravana Governo de Todos. Em sua 3ª edição, a Caravana levou serviços do Viva, de saúde, Carreta da Mulher e atividades culturais. E seguiremos com a Caravana ao longo de todo este ano. Ontem estive em Bacabal e vi o grande sucesso da Caravana, aumentando o acesso a direitos fundamentais.

Nosso Governo não é de gabinete ou das recepções com champanhe e lagostas pagos com dinheiro público. Nosso governo é feito nas ruas, nos interiores, nos povoados. Indo onde o povo está para construir um Maranhão melhor para todos, oferecendo serviços para a população e colhendo demandas para que possamos construir nosso futuro.

Advogado, 48 anos, Governador do Maranhão. Foi presidente da Embratur, deputado federal e juiz federal.


Privilégios, contradições e injustiças

untitledROBSON PAZ

As imagens do cotidiano e das mansões dos delatores da Lava Jato divulgadas em rede nacional, no último domingo, 16, são um escárnio. Choca ver corruptores e doleiros responsáveis pelo desvio de bilhões de reais curtindo vida de príncipes em áreas nobres dos grandes centros do país. Privilégios que a maioria da população brasileira jamais usufruirá em toda a existência.

‘Condenados’ pela Justiça, entre 15 e 20 anos de prisão, cumpriram menos de três anos de sentença em regime fechado. Bastou que delatassem outros envolvidos e devolvessem parte das fortunas amealhadas com a corrupção para receberem o benefício da progressão de pena. Sabe-se lá em que termos legais.

No que diz respeito às delações parece que os critérios são ainda mais oblíquos. Mais que provas prevalece o denuncismo generalizado. A maioria procedente. Disto ninguém há de duvidar. Outros encontram na espetacularização midiática terreno fértil ainda que eivados de contradições.

Na última leva de delações dos corruptores da Odebrecht, pomposamente chamados pela grande mídia de ex-executivos, quase todo o alfabeto político do país foi mencionado. Entre estes o governador Flávio Dino. Reparem bem. O governador não é investigado. Mas, a simples citação foi suficiente para os chacais da mídia espetacularizarem o fato. Ainda que este seja carregado de contradições. O delator José de Carvalho Filho aponta suposta doação de caixa 2 para campanha em troca da aprovação de uma lei. Esta nunca foi votada. Muito menos recebeu qualquer parecer favorável de Flávio Dino, que ao contrário pediu arquivamento do projeto.

A primeira das incoerências diz respeito ao valor eventualmente repassado. No começo, R$ 400 mil, que depois o delator disse ter sido R$ 200 mil. Contudo, não apontou onde, quando, como, quem recebeu e qual era uma tal senha, que daria direito ao recebimento do recurso. Ora o depoente diz ter sido fruto de caixa 2 ora, doação legal. A contradição e conseqüente falsidade da acusação é corroborada pelo diretor do departamento de propinas da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, que jamais mencionou Flávio Dino em depoimento. Chega mesmo a desdenhar do PCdoB, partido do governador, por este pouco acrescentar aos interesses escusos dos corruptores.

O contraditório Carvalho diz que, no governo do Maranhão, Flávio Dino contrariou interesses da Odebrecht. A atuação rigorosa do Procon-MA em defesa dos direitos dos consumidores no abastecimento de água nos municípios de São José de Ribamar e Paço do Lumiar é prova concreta disto.

Num país aturdido por todo tipo de denúncia e injustiça foi muito bom ver o presidente Michel Temer num lampejo de honestidade afirmar que a presidente Dilma Rousseff foi cassada por não aceitar chantagens do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

É necessário separar o joio do trigo. Há políticos com desvios éticos e déficit de honestidade, mas empresários estão longe de ser anjos de candura, indefesos, nas mãos de servidores públicos malvados. É hora de acabar com a corrupção sim, mas também com os privilégios e as injustiças.

Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Rádio Timbira AM.


Maranhão escreve certo, no Brasil de linhas tortas

untitledROBSON PAZ*

O Brasil vai mal. Contas públicas desequilibradas, economia estagnada. Crise na segurança pública, na educação e na saúde da maioria dos estados. A instabilidade política e econômica impede o país de retomar o crescimento, em curto prazo.

A desigualdade aumenta. O governo federal reduz investimentos e, por consequência, direitos e oportunidades. Tudo isto afeta os brasileiros em todos os estados, sobretudo, aqueles que mais precisam.

Contudo, a acertada política econômica e social executada pelo governador Flávio Dino tem freado em grande medida os efeitos da crise no Maranhão. Por isso, estamos entre os estados com os melhores níveis de equilíbrio fiscal.

Êxitos constatados em relatórios do Banco Central (BC) e da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) divulgados na semana passada. O BC aponta o Maranhão entre os dez estados com melhor situação fiscal e a Firjan classifica o estado como o segundo melhor desempenho em gastos de pessoal, pagamento de dívidas e investimentos.

O reconhecimento à acertada política fiscal é alvissareira. Melhor é ver que a ação do governo é ainda mais ousada na política social, com investimentos importantes na educação, saúde e segurança. Enquanto o governo federal extingue programas como “Ciência Sem Fronteiras”, nosso estado oferece oportunidade e conhecimento para jovens estudantes com o “Cidadão do Mundo”. Nos últimos dias, 70 alunos egressos da rede pública embarcaram para intercâmbio na Argentina e Canadá. Está em curso o maior programa educacional do estado com construção, reforma e reconstrução de 574 escolas dignas. Os professores foram os únicos da rede estadual a terem reajuste este ano e estão entre os mais bem pagos do país.

O Maranhão que em toda a história jamais teve escola em tempo integral tem 18 em pleno funcionamento. As duas últimas inauguradas em Timon. Um Núcleo de Educação Integral e uma unidade do IEMA (Instituto de Ciência, Educação e Tecnologia). Este, outra iniciativa inédita, que oferece ensino profissionalizante. A meta são 23 unidades até 2018.

Na segurança, o Maranhão alcançou o maior contingente policial de sua história. Mais de 12 mil policiais militares, após a contratação de mais de 3 mil policiais em apenas dois anos e três meses. Com reajuste em maio, os policiais maranhenses estarão entre os mais valorizados do país.

A saúde saiu da UTI. Foram inaugurados cinco hospitais regionais de média e alta complexidade nos municípios de Pinheiro, Caxias, Imperatriz, Santa Inês e Bacabal. A Força Estadual de Saúde fez 500 mil atendimentos nos 30 municípios mais pobres. O governo apoia os municípios, inclusive com a aquisição de ambulâncias.

O Bolsa Escola beneficia 1,2 milhão de alunos, que recebem crédito para aquisição de material escolar. Atenção que vai da educação infantil ao ensino superior com a criação da UemaSul, na região Tocantina.

Assim, o Maranhão mostra que é possível com política justa, humana e transparente trilhar o caminho certo, mesmo nas tortas linhas traçadas no Brasil.

*Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Rádio Timbira AM.