Erro de avaliação?

Robson PazROBSON PAZ

A despeito de toda engenharia da elite política, jurídica e midiática, a desarmonia de parte das forças de esquerda contribuiu significativamente para a concretização do golpe parlamentar, que retirou a presidenta Dilma Rousseff do poder, em 2016.

Há vários os exemplos. A dispersão de partidos como o PSB, que apoiou o impeachment. É um destes. Mesmo no PT, houve quem avaliasse que o afastamento de Dilma em meio ao desgaste resultante da crise econômica abriria caminho para a volta triunfal do ex-presidente Lula. Erro de leitura monumental.

Afastada a presidenta legitimamente eleita, passo seguinte do consórcio golpista foi a condenação, sem provas, do ex-presidente e o conseqüente enquadramento na Lei da Ficha Limpa. A prisão política tem como pano de fundo impedir que Lula, líder em todas as pesquisas, dispute a eleição e conquiste nas urnas o terceiro mandato para a Presidência da República.

Pois bem. Enquanto a direita e o centrão selam aliança pró-Geraldo Alckmin (PSDB), os partidos de esquerda teimam em não construir o caminho da unidade. Contrariam a vontade popular, manifesta em todos os levantamentos estatísticos realizados, que reprova o modelo de gestão imposto pelos conservadores ora no Palácio do Planalto.

Apesar de reiterados apelos do PCdoB pela união, o fato concreto é que PT, PSB, PT e PSol caminham a passos largos para a pulverização de candidaturas presidenciais deixando o terreno livre para as candidaturas patrocinadas pelos artífices do golpe, que interrompeu o ciclo de governos populares e progressistas iniciado em 2003 e consequentemente levou o ex-presidente Lula para a prisão.

A coesão dos partidos de centro-direita garantiu tamanha tranquilidade ao pré-candidato Geraldo Alckmin, que este se dá ao luxo de prospectar adversários. Reportagem do Jornal Folha de S. Paulo, no último domingo, 22, afirma que o ex-governador de São Paulo prevê segundo turno em que enfrentará o candidato do PT, apoiado pelo ex-presidente Lula.

Tese reiterada nesta segunda por articulista do jornal paulista. Não é difícil entender a razão da predileção. Basta lembrar que antes mesmo do impeachment de Dilma e da prisão de Lula, o PT foi alvo de campanha sistemática da grande mídia numa tentativa torná-lo sinônimo de corrupção.

A repercussão foi de tal dimensão que o processo de afastamento da presidenta Dilma se deu mesmo sem provas, em grande medida pela repulsa de parte da população ao PT sob o discutível argumento de combate à corrupção seletivamente.

De todo este massacre jurídico midiático sobrou a figura do ex-presidente Lula, que a despeito de toda a campanha manteve-se com índices elevados de popularidade. De sorte, que, mesmo preso político, lidera todas as pesquisas de intenção de votos para a presidente.

Seria esta umas das razões pelas quais Alckmin do alto de sua experiência político eleitoral aposta (ou torce?) que enfrentará candidato do PT no segundo turno?

Toda esta conjuntura exige desprendimento das forças progressistas para evitar que a elite conservadora dê o golpe final e legitime nas urnas o processo arbitrário e antidemocrático em curso no país.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Segurança Pública, um trabalho sério

Por Flávio Dino

Policiais-1-360x240Enfrentar a criminalidade exige seriedade, comprometimento e soluções eficientes. É o que temos feito no Maranhão, com resultados visíveis e objetivos, a exemplo da retirada de São Luís da lista das 50 cidades mais violentas do mundo, bem como do controle do caos que havia na Penitenciária de Pedrinhas.

Numa escala comparativa entre os anos de 2014 e 2017, os homicídios caíram 40,6% na Grande São Luís. Em 2018, obtivemos resultado ainda mais enfático, chegando a 57% de redução desse crime no primeiro semestre, se comparado ao mesmo período de 2014 (governo passado). Esse e outros dados mostram o avanço do Pacto pela Paz, que lançamos em 2015.

Um trabalho árduo foi feito até aqui e segue em execução constante para que consigamos diminuir ainda mais a criminalidade. Agi segundo o entendimento que sempre defendi, de que o governante não deve eximir-se da responsabilidade diante dos problemas mais difíceis. Por isso, estabeleci uma rotina de reuniões junto à cúpula da Segurança para acompanhar e avaliar pessoalmente o planejamento, as ações e os resultados obtidos com uma nova postura.

Apostamos na capacidade resolutiva de nossas corporações, que passaram a ser valorizadas e ampliadas ao longo desses três anos e meio. Já em 2015, nomeei 1.000 novos policiais para o enfrentamento do crime nos locais de maior incidência. Entre militares, bombeiros e civis, são mais 3.535 novos homens e mulheres nomeados para o sistema de segurança em nossa gestão. No mesmo sentido, concedemos mais de 8 mil promoções na carreira militar.

Melhoramos também as condições de trabalho, tanto quanto possível até aqui, diante da grave crise econômica dos últimos anos. Hoje, o Maranhão conta com 1.078 novas viaturas e aparelhamento modernizado para a atuação policial nas ruas. A nossa capacidade de atendimento foi fortalecida com a instalação do Instituto de Genética Forense, da Casa da Mulher Brasileira e das novas superintendências da Polícia Civil, somando em inteligência e efetividade nas ações policiais.

Com esse entendimento, o Maranhão foi capaz de superar uma das mais graves crises penitenciárias da história do país. Lugar que já foi cenário de vergonhosas barbáries noticiadas mundialmente, a penitenciária de Pedrinhas passou por um processo de reorganização e, em nosso governo, tivemos uma redução de 97% dos homicídios intramuros. Além disso, levamos maior possibilidade de ressocialização, com educação e trabalho para os apenados.

Para somar-se a tudo isso, na próxima quarta-feira, nomearei mais 1.214 policiais militares para reforçar a Segurança Pública. Todos eles passaram por concurso e treinamentos para contribuírem com a expectativa de redução ainda maior da violência. O Maranhão vai, assim, vencendo o medo e, passo a passo, edificando a Paz.

Advogado, 50 anos, Governador do Maranhão. Foi presidente da Embratur, deputado federal e juiz federal.


DNA golpista

Robson PazROBSON PAZ

Por pouco mais de meio século raríssimas vezes o Maranhão teve governos opositores ao regime coronelista. Coincidentemente, todas as vezes que o Estado é governado com viés progressista, privilegiados gritam e ameaçam a estabilidade política.

Foi assim em meados da década passada, quando o ex-governador Zé Reinaldo rompeu com as políticas do atraso e priorizou o combate à pobreza. O corte de privilégios, a meta mobilizadora de elevar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e a universalização do ensino médio causou furor aos pretensos “donos do Maranhão”.

Além do massacre midiático, o grupo dominante atuou nos bastidores para o afastamento do então governador. Mas, precisavam ter o controle da Assembleia Legislativa. Foi lá onde se deu a maior e mais importante batalha política no Maranhão, no início deste século. Hábil, o ex-governador Zé Reinaldo venceu a disputa do Legislativo com a eleição do deputado estadual João Evangelista para a presidência da Casa. Assegurou a governabilidade, a despeito das investidas jurídicas utilizadas pelos poderosos, que usaram até o então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) para evitar a derrota. O máximo que conseguiram foi procrastinar o revés, por pouco tempo.

Para muitos, a simbólica vitória de Jackson Lago, em 2006, seria o fim do ciclo coronelista no Maranhão. Não foi! Amparado no prestígio político junto ao governo federal e acesso aos tribunais, os derrotados pelo voto popular prepararam um absurdo processo, que culminou numa das maiores violências políticas vistas no Estado. Legitimamente eleito, Jackson Lago foi o primeiro governador cassado, no país. Pasmem, por abuso de poder político e econômico. Absurdo!

Golpe jurídico, nas palavras do ex-presidente do STF Francisco Rezek.

Pois bem. Cinco anos depois, o povo do Maranhão impôs a maior derrota ao sarneysismo, em cinco décadas, elegendo o governador Flavio Dino com mais de 63% dos votos válidos, em primeiro turno.

Afastado dos palácios e desprestigiado em âmbito nacional, o grupo oligárquico se junta aos golpistas nacionais e usa a expertise para atuar na articulação do ilegítimo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Mas, quem pensa que viu tudo se engana.

Sem votos e amplamente rejeitado pela população, as pesquisas de intenções de votos mostram isso, a dinastia Sarney passa a investir uma vez mais na tentativa de chantagear os poderes para criar dificuldades ao governador Flavio Dino. Em ritmo frenético ingressam com representações no Judiciário, ataques sistemáticos pelo império midiático e agora num ato de desespero apresentam esdrúxulo pedido de impeachment na Assembleia Legislativa.

E qual o crime cometido pelo governador Flavio Dino? Combater a corrupção, os privilégios, trabalhar com seriedade e para o bem de todos? Escolas dignas, hospitais regionais e atenção à saúde primária, garantir mais segurança, transparência são inconcebíveis para aqueles que têm DNA golpista. Governar com eficiência e seriedade é inaceitável para quem deixou o estado com os piores indicadores sociais do país e conhecido internacionalmente pela barbárie medieval nos presídios. Não passarão!

Por fim, desejo ao ex-governador Zé Reinaldo, esposa e assessores plena recuperação, depois do susto sofrido em acidente de carro.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Um governo sério

Por Flávio Dino

Flavio Dino-educaçãoPassamos por um momento de intenso debate nacional sobre a atuação do poder público. Diversos grupos da sociedade, independente da visão partidária, propõem formas para o aprimoramento do exercício da política. Em reunião com grêmios estudantis que participei há poucos dias, ouvi muitos sonhos de jovens maranhenses que estudam no sistema de Educação Pública.

Entre os depoimentos que ouvi, alguns relatos sobre as mudanças da realidade em que vivem foram motivantes. Muitos deles foram diretamente beneficiados pelas transformações estruturais do programa Escola Digna, que já construiu e reformou mais de 750 escolas por todo o Estado. Somente em junho foram 31 inaugurações de escolas, certamente um recorde nacional.

Aos poucos, vamos substituindo as escolas de taipa por novas estruturas de concreto. Para os jovens que vêem de perto sua realidade ser transformada, o Maranhão mostra para todo o Brasil um modelo de investimento público que se faz com seriedade.

Lembrei-me de quando também participei dos movimentos estudantis no período de redemocratização do país e também sonhei com novos caminhos para que nosso estado pudesse despontar como modelo positivo para o país. Esses momentos, certamente, construíram em minha vida uma visão de serviço público como meio para transformação social.

Em nosso governo, optamos pela dedicação total às políticas públicas que impactam no futuro dos maranhenses. A Educação Pública, por muito tempo tratada sem a devida atenção, vai desenhando novos sorrisos no horizonte de nossos jovens. Com mais entusiasmo ao frequentar ambientes de estudo com estruturas humanizadas e apropriadas para o desenvolvimento do cotidiano escolar, uma nova geração de maranhenses está sendo estimulada a se preparar melhor para contribuir com os destinos do Maranhão.

O mesmo sentido de mudança nos inspirou à criação da primeiro Centro para crianças com microcefalia e outros problemas de neurodesenvolvimento. Construída no prédio da antiga casa de festas usada por governadores, a Casa de Apoio Ninar hoje serve plenamente à nossa população e já realizou mais de 40 mil atendimentos desde 2017, quando foi entregue totalmente adaptada aos cuidados das nossas crianças.

Estes dois casos são reveladores da progressiva superação da concepção patrimonialista que tomou conta das estruturas do estado durante décadas, substituída pelo sentido de serviço e transparência. Entre essas e outras ações, nosso Governo vai estabelecendo parâmetros republicanos ao Estado, com seriedade e comprometimento com o futuro de todos os maranhenses. Como resultado, vamos combatendo as desigualdades sociais e construindo uma nova realidade.

Advogado, 50 anos, Governador do Maranhão. Foi presidente da Embratur, deputado federal e juiz federal.


Lula: O Brasil voltará a ser dos brasileiros

LulaEnquanto o país prestava atenção à Copa do Mundo, a Câmara dos Deputados aprovou, em regime de urgência, uma das leis mais vergonhosas de sua história. Por maioria simples de 217 votos, decidiram vender  aos estrangeiros 70% dos imensos campos do pré-sal que a Petrobrás recebeu diretamente do governo em 2010. Foi mais um passo do governo golpista e seus aliados para entregar nossas riquezas e destruir a maior empresa do povo brasileiro.

O projeto de lei aprovado semana passada é um crime contra a pátria, que exige reação firme da sociedade para ser detido no Senado, antes que seja tarde demais. É uma decisão que entrega de mão beijada campos do pré-sal com potencial de conter cerca de 20 bilhões de barris de petróleo e gás, burlando a lei que garante o pré-sal para os brasileiros.

Para entender a gravidade desse crime, é preciso voltar ao ano de 2009, quando a Petrobras precisava investir para explorar o recém-descoberto pré-sal. Apresentamos então um projeto de lei em que a União (a quem pertencem as reservas de petróleo, não se esqueçam) vendeu à estatal, em troca de títulos, o direito de explorar até 5 bilhões de barris de petróleo em campos do pré-sal. Foi a chamada Cessão Onerosa.

Assim, a empresa se valorizou, fez a maior operação de capitalização da história e tornou-se capaz de investir. O resultado é que, em tempo recorde, o pré-sal já produz 1,7 milhão de barris/dia, mais da metade da produção nacional. Como era uma operação especial, para defender interesses estratégicos do país, definimos na Lei 12.276/10, que a Cessão Onerosa “é intransferível”.

Fora dessa área, o pré-sal só pode ser explorado pelo regime de partilha, por meio de uma legislação que garante a soberania do país e direciona essa riqueza para investimentos em educação, saúde, ciência e tecnologia, o nosso passaporte para o futuro.

Já circulam estudos indicando que o petróleo dos campos de Cessão Onerosa será vendido a preços entre US$ 6 e US$ 8 o barril, que é o custo de exploração, quando o preço internacional do barril oscila entre U$ 70 e US$ 80. As chances de achar petróleo nesses campos são praticamente totais, porque nós, brasileiros, já mapeamos as áreas. Para as petroleiras, é como comprar um bilhete premiado de loteria. Para o Brasil, é como vender a galinha da fábula, que botava ovos de ouro.

De posse desses campos, os estrangeiros vão comprar sondas e plataformas lá fora, sem gerar um só emprego na indústria brasileira. Vão contratar engenheiros e técnicos lá fora; vão controlar diretamente toda a inteligência de pesquisa e exploração em nosso pré-sal, o que também é um ataque a nossa soberania.

Esse ataque vem acontecendo desde o início do governo golpista, quando aprovaram a chamada Lei Serra, que excluiu a participação obrigatória da Petrobrás em todos os campos do pré-sal. Foi mais um golpe na indústria naval brasileira, que se somou à decisão de reduzir para 50% a obrigação da Petrobrás de comprar máquinas e equipamentos no Brasil, o chamado conteúdo local.

Na presidência da Petrobrás, Pedro Parente, representante do PSDB, iniciou a privatização de atividades estratégicas como a produção de biocombustíveis, distribuição de gás de cozinha, produção de fertilizantes e participações na petroquímica. Pôs à venda a Liquigás, a BR distribuidora, a fábrica de nitrogenados de Três Lagoas e o gasoduto do Sudeste (NTS).

Em outra manobra criminosa, reduziu em até 30% a produção de combustíveis nas refinarias brasileiras. Deixamos de produzir aqui, em reais, para importar em dólares. Fez reajustes quase diários dos combustíveis, acima dos preços internacionais, o que aumentou os lucros dos estrangeiros. A importação de óleo diesel dos Estados Unidos mais que dobrou.

Não podemos esquecer que os primeiros a sofrer com a nova política de preços da Petrobrás foram os mais pobres, que passaram a usar lenha e o perigosíssimo álcool para cozinhar, por causa do brutal aumento do botijão de gás.

Essa desastrosa política provocou, em maio, a paralisação dos transportes terrestres que tantos prejuízos provocou ao país. O Ipea acaba de informar que a produção industrial caiu 13,4% naquele mês. Não houve queda igual nem mesmo no primeiro mês da crise financeira global de 2008, quando o recuo foi de 11,2% (e cabe lembrar que superamos rapidamente aquela crise).

Em dois anos, foram mais de 200 mil demissões de trabalhadores da Petrobrás e de empresas contratadas por ela, além de mais de 60 mil demissões na indústria naval. A indústria de máquinas e equipamentos calcula uma perda de 1 milhão de empregos na cadeia de óleo e gás, em decorrência dessa política suicida.

A desvalorização do patrimônio da Petrobrás, com a venda de empresas controladas, a perda de mercado no Brasil, a opção por se tornar mera exportadora de óleo cru, entre outras ações danosas de Parente, é dezenas de vezes maior que os alegados R$ 6 bilhões que teriam sido desviados nos casos investigados pela Lava Jato.

A votação da semana passada na Câmara, em regime de urgência, sem nenhum debate com a sociedade, mostrou que o governo golpista tem uma pressa desesperada para entregar o patrimônio nacional e destruir nossa maior empresa.

A verdade é que o tempo deles está acabando. Correm para entregar o que prometeram aos patrocinadores do golpe do impeachment em 2016: nosso petróleo, nossas riquezas, as empresas dos povo, a Petrobrás, a Eletrobrás e os bancos públicos. Foi para isso, e para revogar direitos dos trabalhadores, que eles derrubaram a honesta presidenta Dilma Rousseff.

Ao longo de dois anos, os golpistas e os entreguistas do PSDB submeteram o Brasil aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos, e não apenas na Petrobrás. A politica externa dos chanceleres tucanos voltou a ser ditada pelo Departamento de Estado dos EUA, num retorno vergonhoso ao complexo de vira-latas que tínhamos superado em nosso governo.

Mas o tempo deles acaba em outubro, quando o Brasil vai eleger um governo democrático, com legitimidade para reverter a agenda do entreguismo e do ultraliberalismo, que só interessa ao mercado e não ao país ou ao nosso povo. Quando o Brasil eleger um governo que vai acabar com a farra das privatizações e da entrega do patrimônio nacional.

Podem ter certeza: voltando ao governo, com a força do povo e a legitimidade do voto democrático, vamos reverter tudo que estão fazendo contra nossa gente, contra os trabalhadores e contra o país. E o Brasil vai voltar a ser dos brasileiros.

Luiz Inácio Lula da Silva

Ex-presidente e pré-candidato do PT à Presidência da República

*Artigo originalmente publicado no Jornal do Brasil


Nordeste na vanguarda da comunicação cidadã

Robson PazROBSON PAZ

A agenda de retrocesso imposta ao país pelo governo Michel Temer (MDB) ameaça recentes conquistas da comunicação pública. Sob o dogma do Estado mínimo, Temer e aliados incluíram a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) no pacote das empresas públicas passíveis de extinção. Pôs em prática o Plano de Demissão Voluntária (PDV) para os servidores da empresa com redução prevista de até 22% do quadro de pessoal.

Mais recentemente, o Conselho de Administração da EBC rebaixou a empresa criada para desenvolver a comunicação pública à categoria de agência de comunicação governamental. Determinou que a Agência Brasil passe a oferecer apenas conteúdos jornalísticos estatais. A deformação autoritária da empresa iniciada após o golpe de 2016 mereceu o repúdio do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e dos ex-presidentes da EBC.

A cartilha da negação do direito à comunicação já havia sido adotada no Rio Grande do Sul, onde o governador Ivo Sartori, coincidentemente do MDB, extinguiu o sistema público de comunicação do estado. Os projetos encaminhados pelo governo à Assembleia Legislativa extinguem a TVE, a rádio FM Cultura, entre outras instituições.

É inevitável a comparação com o desmonte da Rádio Timbira AM pela ex-governadora Roseana Sarney (MDB), na década de 1990. Ao não conseguir seu intento de privatizar a rádio, tal qual o aliado Temer, a emedebista impôs um PDV aos funcionários da emissora e sucateou a mais longeva rádio do estado. Foram mais de duas décadas de abandono e ostracismo.

Pois bem. A despeito dos reveses, nem tudo são trevas na comunicação pública. Há luz no fim do túnel. Na última semana, trocamos experiências acerca da comunicação estatal pública com dirigentes de rádios e TVs de estados nordestinos. É especialmente estimulante ver a valorização da comunicação estatal pública nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Paraíba.

Os baianos contam com a TV Educativa e a Rádio Educadora FM. Ambas geridas pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB). Em Aracaju, a Fundação Aperipê reúne televisão Educativa (Aperipê TV) e duas emissoras de rádio: Aperipê AM e FM.

Nas Alagoas, o Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) é responsável pela TVE e as Rádios Difusora AM e Educativa FM. Com mais de 80 anos, a Rádio Tabajara AM foi completamente reestruturada, bem como a emissora FM formando o sistema de comunicação estatal público da Paraíba.

No mar de intempéries e monopólio da grande mídia, as emissoras públicas do Nordeste destacam-se pelo jornalismo plural, diversidade da programação cultural e educativa.

Depois de duas décadas de abandono e descaso, a Nova 1290 Timbira AM está inserida nesse contexto. Agora, participa de esforço conjunto para estabelecer integração entre o sistema público de comunicação da região. Um grande desafio!

As parcerias de conteúdo e cooperação técnica se constituem num passo de elevado significado e importância para a garantia do direito humano fundamental à liberdade de expressão e livre acesso às informações.

Iniciativa, que coloca o Nordeste na vanguarda da comunicação pública do país.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Trabalho como valor fundamental

Por Flávio Dino

ponte_central_bequimaoUm dos valores que devem nortear a administração pública no Brasil, em meio a uma conjuntura política conturbada que enfrentamos nos últimos anos, é a dedicação ao trabalho. Este é um quesito cada vez mais imprescindível, quando o país diz cada vez mais claramente que não mais comporta os privilégios que eram concedidos a grupos políticos e familiares.

Entendi, durante os quase 30 anos de atuação como servidor público, que esse era o caminho correto a seguir. Foi essa percepção de uma vida de trabalho que trouxe ao comando do Poder Executivo estadual, junto com toda a equipe, que tem uma visão avançada e humanizada de atuação.

Como exemplo atual da nossa dedicação a metas sérias, menciono obras em execução como a ponte Central/Bequimão. Iniciamos a última semana com o deslocamento das estruturas para a tão sonhada ponte Central-Bequimão, possibilitando à população do Litoral Ocidental uma importante ligação rodoviária, esperada há décadas. São 10 municípios diretamente beneficiados com a ponte, que interligará pessoas, polos produtivos e rotas de turismo.

Este é um dos sonhos maranhenses que estamos tirando do papel, como resultado de um trabalho diário de mais de três anos. Para vermos essa realidade se concretizar, passamos pelas fases necessárias antes do início das obras, que vão desde o projeto, a licitação da implantação e compra das estruturas que chegaram há poucos dias na região, enfrentando infelizmente uma oposição irascível dos defensores da velha política.

Outra importante ação que deixa de ser “lenda” para se tornar realidade é a construção da rodovia MA-275, ligando as cidades de Amarante a Sítio Novo. Estivemos lá esta semana, no início dos trabalhos de pavimentação. 40km de estrada de barro e pontes de madeira vão sendo substituídas por uma nova estrada de asfalto, encurtando distâncias e levando mais dignidade à vida da Região Tocantina.

Não são obras isoladas, fazem parte de uma série de ações de infraestrutura que iniciamos e entregamos desde 2015. Do início do nosso governo até hoje, foram mais de 2.500km de asfaltamento, recuperação e inauguração de estradas que interligam cidades, viabilizando a infraestrutura necessária.

Apontamos esses exemplos para mostrar que a atitude do governante pode ser transformadora, trabalhando por ações inovadoras e viáveis nas mais diferentes regiões do estado. Ao longo desses três anos, investimos em políticas públicas sérias e que começaram a trazer mais dignidade a cada uma das regiões maranhenses. Não apenas estamos honrando os compromissos feitos, mas construindo um Maranhão mais justo e com mais oportunidades para todos.

Advogado, 50 anos, Governador do Maranhão. Foi presidente da Embratur, deputado federal e juiz federal.


Falta rebeldia ao futebol brasileiro

Robson PazROBSON PAZ

Nos gramados a Seleção Brasileira vai muito bem, obrigado. Contraditoriamente é inversamente proporcional o comportamento da torcida brasileira, cuja apatia nem de longe demonstra a paixão nacional pelo esporte.

Qual a explicação? A crise econômica, política e institucional explica em certa medida a baixa estima da torcida canarinho. A bola murcha é constatada em pesquisas. O Instituto Paraná mostra que 65% da população não estão nada interessados ou têm muito pouco interesse na Copa do Mundo. De acordo com o Datafolha, 41% estão desinteressados pela competição. Dez pontos percentuais a mais em relação a 2010.

Mas, se é verdade que a crise reflete diretamente o desinteresse popular, não menos verdadeira é a falta de rebeldia dos ídolos fora das quatro linhas. O silêncio sobre os problemas do país é tão frustrante quanto ser goleado por 7 a 1 em casa, com estádio lotado.

Muito diferente de outras épocas. Craques do futebol nacional já protagonizaram movimentos políticos como a Democracia Corintiana, liderada pelo doutor Sócrates, que revolucionou o ambiente futebolístico e contribuiu no processo de redemocratização do país na ‘Diretas Já’, década de 80.

Antes, no ápice da ditadura militar o atacante da Seleção e do Atlético Mineiro Reinaldo protestava em plena Copa do Mundo, em 1978, contra o regime opressor. Ao fazer gol, Reinaldo comemorou erguendo o braço com punho fechado. “Era um gesto socialista, em protesto pelo fim da ditadura”, conta o ex-craque.

Os generais daquele tempo usavam o futebol como meio para aplacar os ânimos contra a ditadura com discursos ufanistas. Ao cumprimentar Reinaldo, Ernesto Geisel teria transmitido a ordem: “Vai jogar bola, garoto. Deixa que política a gente faz”.

Opressão que parece dominar o meio futebolístico nacional. O que explicaria a inércia diante de escândalos de corrupção envolvendo a cúpula do futebol brasileiro com denúncias de propinas? Em recente relato do livro publicado na Europa, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter discorre sobre bastidores do caso de corrupção envolvendo ex-dirigentes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e parte da grande mídia. Segundo ele, dinheiro de uma emissora brasileira de TV teria sido desviado para a criação de uma “caixa-preta” no futebol.

O máximo que se ouve de jogadores da Seleção é o surrado chavão de que a conquista da Copa é uma forma de propiciar alegria à sofrida população. Discurso um tanto desconectado da realidade.

Na ausência de vozes do futebol nacional, coube ao ex-craque argentino Diego Maradona atacar publicamente o golpe, que retirou do poder a ex-presidenta Dilma Rousseff, cassada injustamente, e a prisão arbitrária do ex-presidente Lula.

Sobram bons exemplos de atletas que utilizaram o esporte como instrumento para transmitir mensagens essenciais para organização da sociedade. O craque africano Didier Drogba, ex-atacante da Costa do Marfim, liderou o processo de pacificação do país, após quase dez anos sob guerra civil.

Torçamos por nossa Seleção para que seja uma vez mais vitoriosa em campo e inspire nossos craques à prática da consciência política e à rebeldia de outrora. Tenhamos fé no Brasil!

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Respeito aos servidores

Robson PazROBSON PAZ

O Maranhão tem 110 mil servidores públicos estaduais. É praticamente a população do município de Açailândia, oitavo maior contingente populacional do Estado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Este exército de homens e mulheres é essencial para a promoção de direitos e a eficaz prestação dos serviços públicos. A despeito das intempéries enfrentadas pelo funcionalismo na maioria dos estados, é notável a política de valorização deste proporcionada pelo governo Flávio Dino.

Ações que vão muito além da política salarial. Melhoria das condições e ambientes de trabalho, capacitação e assistência à saúde.

Uma das conquistas mais simbólicas é a construção do Hospital do Servidor, cuja obra avança com previsão de entrega para este ano. É a devolução de um direito e patrimônio dos servidores, retirados por gestões passadas.

Não por acaso, aqueles que negaram aos servidores atendimento no antigo Hospital do Ipem e os submeterem ao deslocamento para hospital, no município de São José de Ribamar, acionam a Justiça contestando o investimento, que dará acesso dos servidores ao novo hospital.

Coincidentemente, os diligentes autores da ação foram acusados pela Polícia Federal de comandarem Organização Criminosa (Orcrim), que teria desviado R$ 1,2 bilhão da saúde estadual.

Pois bem. Não bastasse o investimento para garantir melhor assistência à saúde dos servidores, o governador Flávio Dino é dos poucos que têm mantido em dia e, no mais das vezes, antecipado o pagamento dos funcionários públicos. Com a crise do país, cerca de 17 estados quebraram, muitos destes atrasaram ou parcelaram salários dos servidores.

É também o Maranhão reconhecido nacionalmente por pagar o maior salário do país para professores em início de carreira com jornada de 40 horas semanais. Em três anos, o atual governo concedeu o equivalente a 30,35% de reajuste para os professores da rede estadual. Índice acima da inflação.

Mais de 22 mil professores receberam benefícios de progressões, titulações, estímulos e promoções na carreira e o governo fez concurso público para 1.500 docentes, que aprovados já exercem suas funções.

Também foram valorizados policiais civis e militares. Mais de 3,5 mil novos policiais foram contratados e está em andamento concurso público para contratação de 1,2 mil novos policiais militares. Outros 8 mil policiais receberam promoções, nos últimos três anos.

Somadas, as duas categorias representam mais da metade dos servidores do Estado e atuam em áreas essenciais para a população. Os resultados desse investimento começam a aparecer com a melhoria do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e redução dos indicadores de violência. São Luís deixou a lista das 50 cidades mais violentas do mundo.

Com a ampliação dos serviços públicos foram realizados seletivos e concursos públicos em diversas áreas. Certames que garantiram a geração de milhares de empregos e renda.

Noutra dimensão, os servidores terão acesso a mais de dois mil apartamentos com preços 25% mais baratos que o valor de mercado. Isto é respeito aos servidores, que fazem a diferença na construção de um Maranhão melhor e mais justo para todos.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Caçada à liberdade de imprensa

Robson PazROBSON PAZ

Na semana em que o Brasil lamentou a perda de Alberto Dines, um dos mais notáveis jornalistas do país, o Maranhão foi surpreendido com anúncio feito pelo jornal “O Estado do Maranhão”, de propriedade do ex-senador José Sarney, de que o grupo político por ele liderado quer fechar a Rádio Timbira AM por até seis meses.

Com injustificado ar de regozijo, o jornal afirma que há quatro representações contra a emissora estatal na Justiça Eleitoral, Ministério Público Eleitoral e no Ministério das Comunicações, sob inconsistente argumento de que o veículo estaria sendo indevidamente usado com fins eleitorais.

Embora não seja novidade, é inusitado que o grupo que detém o maior conglomerado de comunicação do estado proponha fechar a única emissora de rádio pertencente ao povo do Maranhão.

Não há registro de qualquer desrespeito à legislação pela Nova 1290 Timbira AM. No período pré-eleitoral, a lei veda aos veículos de comunicação pedido explícito de voto, fato que jamais ocorreu na emissora.

Pelo contrário, a linha estabelecida na rádio é explícita para que todo o esforço da equipe seja voltado à prática de jornalismo ético, democrático e responsável.

O jornal do ex-senador Sarney faz referência a fato comprovadamente inexistente. A transmissão do ato político do ex-presidente Lula pela Timbira. O monitoramento da rádio exigência da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) demonstra que tal evento público jamais foi transmitido. Naquele ato, houve sim cobertura jornalística, pois se tratava de fato de interesse público. Conduta adotada pela emissora em atos de outros líderes presidenciáveis que visitaram o Maranhão, como Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), João Dória (PSDB), Guilherme Boulos (PSol), Rodrigo Maia (DEM). Aliás, pluralidade de vozes proporcionada também em nível estadual com reportagens que tiveram como protagonistas políticos de diferentes correntes ideológicas.

A Rádio Timbira, antes proibida pelo governo anterior de colocar ouvintes no ar, hoje se constitui no mais democrático espaço para a livre manifestação independentemente de ideologia, credo ou gênero em toda a programação. Isto resguardados os marcos da civilidade e do respeito ao regramento constitucional. Não cabem, pois, os argumentos das quatro representações que tentam colocar mordaça na primeira rádio do Maranhão. Isto posto, só resta uma explicação para que a emissora estatal incomode poderosos do estado: o jornalismo.

Sim, em pleno século 21, praticar jornalismo sério no Maranhão, dar voz a quem antes não tinha, é ato impensável para censuradores. Talvez porque seus arsenais midiáticos não informem a população sobre ações de interesse público nas mais diversas áreas.

A censura que tentam impor à Timbira é prática diária dos meios de comunicação sob controle daqueles que ora acusam a emissora. Por tudo isto, convido publicamente os autores das representações, os deputados Eduardo Braide (PMN), Adriano Sarney (PV), Andreia Murad (PRP) e Hildo Rocha (MDB), para entrevistas, ao vivo, em nossos estúdios. Oportunidade para demonstrar uma vez mais o caráter democrático e plural da Rádio Timbira. A Rádio de todos nós.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.