Erro de avaliação?

Robson PazROBSON PAZ

A despeito de toda engenharia da elite política, jurídica e midiática, a desarmonia de parte das forças de esquerda contribuiu significativamente para a concretização do golpe parlamentar, que retirou a presidenta Dilma Rousseff do poder, em 2016.

Há vários os exemplos. A dispersão de partidos como o PSB, que apoiou o impeachment. É um destes. Mesmo no PT, houve quem avaliasse que o afastamento de Dilma em meio ao desgaste resultante da crise econômica abriria caminho para a volta triunfal do ex-presidente Lula. Erro de leitura monumental.

Afastada a presidenta legitimamente eleita, passo seguinte do consórcio golpista foi a condenação, sem provas, do ex-presidente e o conseqüente enquadramento na Lei da Ficha Limpa. A prisão política tem como pano de fundo impedir que Lula, líder em todas as pesquisas, dispute a eleição e conquiste nas urnas o terceiro mandato para a Presidência da República.

Pois bem. Enquanto a direita e o centrão selam aliança pró-Geraldo Alckmin (PSDB), os partidos de esquerda teimam em não construir o caminho da unidade. Contrariam a vontade popular, manifesta em todos os levantamentos estatísticos realizados, que reprova o modelo de gestão imposto pelos conservadores ora no Palácio do Planalto.

Apesar de reiterados apelos do PCdoB pela união, o fato concreto é que PT, PSB, PT e PSol caminham a passos largos para a pulverização de candidaturas presidenciais deixando o terreno livre para as candidaturas patrocinadas pelos artífices do golpe, que interrompeu o ciclo de governos populares e progressistas iniciado em 2003 e consequentemente levou o ex-presidente Lula para a prisão.

A coesão dos partidos de centro-direita garantiu tamanha tranquilidade ao pré-candidato Geraldo Alckmin, que este se dá ao luxo de prospectar adversários. Reportagem do Jornal Folha de S. Paulo, no último domingo, 22, afirma que o ex-governador de São Paulo prevê segundo turno em que enfrentará o candidato do PT, apoiado pelo ex-presidente Lula.

Tese reiterada nesta segunda por articulista do jornal paulista. Não é difícil entender a razão da predileção. Basta lembrar que antes mesmo do impeachment de Dilma e da prisão de Lula, o PT foi alvo de campanha sistemática da grande mídia numa tentativa torná-lo sinônimo de corrupção.

A repercussão foi de tal dimensão que o processo de afastamento da presidenta Dilma se deu mesmo sem provas, em grande medida pela repulsa de parte da população ao PT sob o discutível argumento de combate à corrupção seletivamente.

De todo este massacre jurídico midiático sobrou a figura do ex-presidente Lula, que a despeito de toda a campanha manteve-se com índices elevados de popularidade. De sorte, que, mesmo preso político, lidera todas as pesquisas de intenção de votos para a presidente.

Seria esta umas das razões pelas quais Alckmin do alto de sua experiência político eleitoral aposta (ou torce?) que enfrentará candidato do PT no segundo turno?

Toda esta conjuntura exige desprendimento das forças progressistas para evitar que a elite conservadora dê o golpe final e legitime nas urnas o processo arbitrário e antidemocrático em curso no país.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Mais uma etapa vencida

Robson PazROBSON PAZ

Mais um ciclo pré-eleitoral foi encerrado. O fim dos prazos de trocas partidárias e novas filiações, além das desincompatibilizações para disputar as eleições de outubro, deixou mais nítido o cenário da sucessão estadual.

A disputa pelo governo do Estado mantém amplo favoritismo do governador Flávio Dino. As ‘profecias’ dos adversários não se materializaram.
Nenhum partido do arco de alianças liderado pelo PCdoB deixou de apoiar o projeto de reeleição do governador comunista. Tampouco houve loteamento de cargos para atrair novos aliados, nem para manter os atuais como pregou a oposição oligárquica.
Nem mesmo as mudanças de legenda feita por políticos com mandato favoreceram a pré-candidatura do grupo Sarney. Ao contrário, até o vice-prefeito de Caxias deixou a nau sarneísta para se filiar ao PP, que integra a base de apoio ao governo Flávio Dino.
Se por um lado, o PSDB ganhou sobrevida com filiações de dois deputados federais pré-candidatos ao Senado, a pré-candidatura de Eduardo Braide (PMN) subiu no telhado. Sem tempo de televisão, estrutura partidária e aliados que lhe garantam sustentação para uma campanha competitiva, o deputado deve disputar a eleição para a Câmara Federal. Com isso, minguam as chances de segundo turno como atestam todas as pesquisas.
Cenário, por óbvio, pouco atraente para a confirmação da candidatura de Roseana Sarney ao governo.
Corroboram para isto outras profecias apocalípticas alardeadas pelo sarneísmo, que não se concretizaram. O estado do Maranhão vai muito bem administrativamente, com investimentos, inaugurações diárias, serviços públicos e servidores valorizados, além de amplo reconhecimento de instituições nacionais e internacionais. Portanto, muito distante daquilo que desejavam os pregadores do caos.
O governador Flavio Dino goza de uma das maiores aprovações do país com mais de 60% de popularidade e praticamente o mesmo percentual de intenções de votos.
Como as eleições deste ano ocorrerão em ambiente de tensão após a prisão política do ex-presidente Lula, há outro componente que terá grande importância. Enquanto Flávio Dino tem o apoio do ex-presidente, cuja aprovação beira os 80% no estado, seus adversários terão que carregar o peso da desaprovação acima de 80% do governo Michel Temer, defendido por eles.
A seis meses das eleições muito ainda por acontecer, mas o ambiente político eleitoral está pouco propício a reviravolta. Por tudo isto, parece cada vez mais improvável o embate entre Flavio Dino e Roseana Sarney. Os sinais são visíveis. Esperemos para conferir.

Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.