Bem-vindo, Lula! Parabéns, São Luís!

Robson PazROBSON PAZ

Em meio às comemorações pelos 405 anos, São Luís recebe o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Visita de elevada simbologia da luta e resistência contra o modelo de dominação, que marca a história do Brasil e do Maranhão.

São Luís fundada por franceses, invadida por holandeses e colonizada por portugueses teve sua construção, como de resto quase todo o país, sob a égide da exclusão social. Sobretudo, da população indígena e negra. A despeito da invisibilidade imposta pelos privilegiados, estes são protagonistas de nosso rico patrimônio sociocultural.

A presença de Lula em São Luís, neste momento, é simbólica. De retirante nordestino a presidente da República, Lula é um misto de sobrevivente e exemplo de superação, êxito sobre a política elitista e excludente do país, cuja principal característica é a negação de direitos. Como nenhum outro na história, este operário representou e realizou em grande medida o sonho de inclusão da maioria da população brasileira no orçamento da União.

Após experimentar crescimento com inclusão social nos governos Lula, o golpe, que retirou a ex-presidente Dilma Rousseff do poder, fez o Brasil retroceder sob uma agenda draconiana, patrocinada pelo grande capital e por interesses internacionais na exploração das riquezas e entrega do patrimônio nacional. A semelhança com o período colonial não é mera coincidência.

Não foi sem luta, suor e sangue dos povos indígenas e negros, que a bela São Luís foi erigida a partir do Forte de São Luís, em 1612. A capital de todos os maranhenses tem sua história marcada pela luta por direitos e liberdade. Na história recente, as greves de 1951 e 1979. A primeira, um movimento social contra o sistema de fraudulento e opressor; enquanto a outra se fez contra aumento abusivo e pelo direito à meia passagem levaram ludovicenses às ruas contra o poder dominante. Rebeldia política de quem jamais elegeu um prefeito apoiado pela dinastia Sarney, que dominou o estado por cinco décadas.

É esta São Luís que abraça o ex-presidente Lula na sua caravana da cidadania e justiça. Estarão juntos dois expoentes da política brasileira. Lula um dos melhores presidentes do nosso país. Idealizador e executor de políticas inclusivas, como Bolsa Família, Luz Para Todos, Prouni, Minha Casa Minha Vida, PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), das UPAs, das universidades públicas, que deram oportunidade aos mais pobres; Flávio Dino, que realiza uma gestão transformadora e inclusiva com programas, como Escola Digna, ampliação da rede de atendimento à saúde construção de hospitais regionais e da Força Estadual de Saúde, do Bolsa Escola, do Mais Asfalto, que urbaniza cidades e constrói estradas e pavimenta sonhos; do Pacto pela Paz, que investe como nunca antes na segurança pública; do olhar para aqueles que mais precisam.

Que a força e a rebeldia de nossa brava gente lance luz e esperança no reencontro do Brasil com a justiça social, a soberania e direitos para todos os brasileiros. Bem-vindo, Lula! Parabéns, São Luís!

Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Lula: ‘Dino tem mostrado uma capacidade política e gerencial muito grande’

 
Maranhão 247 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (16) que o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), tem de participar mais do debate político nacional. Na avaliação do petista, o maranhense será peça importante na frente de esquerda que precisa ser construída no Brasil.

“Ele tem se mostrado um homem com uma capacidade gerencial muito grande e uma capacidade política muito grande. Eu acho que ele deveria participar mais do debate nacional. Ele tem coisas a falar para o Brasil”, disse Lula durante entrevista à Rádio Difusora (MA). “Por todas as informações que a gente tem, ele tem sido um bom governador”, complementou.

Ao comentar sobre eleição direta, o ex-presidente disse que ao ideal é acontecer o mais rápido possível, mas, de acordo com ele, se isso não acontecer, a esquerda precisa construir uma frente democrática “para que a gente possa transformar outra vez este Brasil”. “Nessa frente que nós vamos construir, certamente o governador Flavio Dino estará dentro dela”, disse.

No começo deste mês, o governador do Maranhão propôs três bandeiras para unificar a esquerda no Brasil: Nação, Produção e Educação, tendo Lula como coordenador.


Flávio Dino visita Lula e fala sobre caminhos inclusivos para deixar crise

dinoO governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), esteve nesta sexta-feira (31) na sede do Instituto Lula, em São Paulo, onde se reuniu com o ex-presidente e conversou sobre temas ligados à crise institucional por que passa o país e quais as soluções a buscar para deixar a retração sem penalizar aqueles em situação econômica mais precária.

 “Vim para falar e ouvir do ex-presidente Lula sobre formas para retomar a trajetória de desenvolvimento com justiça social. No quadro atual, de crise profunda das instituições, é preciso buscar uma solução que seja positiva para a maioria do povo. Precisamos retomar a ideia de que o Brasil não é programado para o fracasso”, explicou o governador.

Dino e Lula falaram também de um ponto de vista que têm em comum, sobre o que é prioridade atualmente dentro do fazer político de esquerda. “O fundamental é garantir que os poucos recursos públicos disponíveis em uma conjuntura de crise sejam aplicados na direção correta, priorizando os serviços públicos e o acesso a direitos. Este deve ser o núcleo programático da esquerda no Brasil, reabrir a porta aos direitos. àqueles que mais precisam.”

O governador exemplificou como a teoria se transforma em prática em sua administração no Maranhão. Hoje, o salário inicial de um professor da rede pública do Estado é de R$ 5,3 mil (regime de 40 horas semanais), o maior valor do Nordeste e um dos maiores do país. Em tempos de crise que deterioram e reduzem o raio de ação do serviço público, o Maranhão tem caminhado na rota oposta. “Temos conseguido manter os serviços públicos funcionando e aprimorando a sua qualidade, ainda que ampliando as ações. Ao mesmo tempo que já reformamos 547 escolas, construímos mais de 200 unidades novas. Estamos caminhando na direção do verdadeiro desenvolvimento, que tem que ser inclusivo”.


LULA NÃO GOSTARIA

Por José Reinaldo Tavares

Em 2006, o presidente Lula foi a Imperatriz inaugurar a expansão do Campus da Ufma. Eu fui convidado, como governador do Estado, assim como o prefeito de Imperatriz, Ildon Marques. Foram muitas as autoridades do Estado convidadas, entre deputados e senadores. Certamente para fugir do clima político extremamente adverso da cidade, ninguém da família Sarney apareceu por lá. O PT estava em peso junto com líderes locais do partido na região, muito fortes na cidade à época. A comitiva presidencial era muito grande.

O horário da reunião foi muito ruim. Comício às 13 horas e 30 minutos, sob o sol escaldante da região, não deveria atrair ninguém. Mas era o Lula e o local estava lotado. Gente por toda a parte e uma plateia muito vibrante e participativa. O prefeito Ildon foi o primeiro a falar. Estava mal no município, uma administração parada e o seu maior adversário na cidade era o PT. Ele foi corajoso e tentou falar, enumerando um grande número de projetos do governo federal, como se fossem dele. Lula não gostou nada da usurpação de seus programas, que foram externados sem agradecer ao governo federal e sem – pior ainda – agradecer ao presidente. A vaia não parava e era muito alta.

Eu, pelo protocolo, me sentava ao lado do presidente e ele estava muito impressionado com a rejeição ao prefeito. Virou-se para mim e me perguntou quem era o prefeito. Eu, me divertindo, disse a ele que o Ildon Marques era do PMDB e prefeito aliado do senador. Lula riu e disse – Puxa, ele está mal! – e em seguida reclamou que na maior parte dos locais para onde iam, os políticos, governadores e prefeitos, proclamavam como suas ações que eram na verdade do governo federal, sem sequer fazer referência a este.

No Maranhão, naquela época, quase não tínhamos ações especiais do governo federal. Só as de uso geral. Eu falei em seguida e, naturalmente, agradeci ao presidente pelo Pronaf, pelas casas populares etc. Na verdade, o Pronaf e as casas populares foram programas em que fizemos grandes parcerias. Para a nossa concepção de governo, que tinha por base a melhoria dos indicadores sociais, o financiamento direto aos pequenos agricultores era fundamental para aumentar a renda dos mais pobres que viviam na área rural. Para dar certo, criamos as Casas da Agricultura Familiar que davam todo o tipo de assistência técnica aos pequenos agricultores. Como uma das primeiras ações, conveniamos com os bancos oficiais de fomento: Nordeste, Brasil e Amazônia. O objetivo maior foi treinar e credenciar os técnicos da Casas de Agricultura para levar o PRONAF até os agricultores, pois estes, muito carentes de educação formal, quase nunca conseguiam financiamentos. O resultado é que avançamos do patamar de R$ 25 milhões anuais que o Maranhão conseguia, último do Nordeste, para R$ 400 milhões em financiamentos, segundo do Nordeste. Um benefício extraordinário que explica o grande aumento de renda per capita, o maior percentual de crescimento em todo o país que o Maranhão teve nesse período.

Sobre a parceria para a construção das casas populares, que fizemos milhares, nosso compromisso foi pagar antecipado a parte que caberia ao morador, que assim recebia a casa de graça.

Contei tudo isso para o Lula no discurso e ele não teve do que reclamar, pois agradeci a ele por nos abrir as portas desses programas.

Hoje tudo voltou ao que era antes, nada disso existe mais, e os números voltaram a cair.

Falo assim, porque vejo Roseana Sarney com seus governos itinerantes entregar, como se fosse dela, máquinas e tratores aos prefeitos, todas compradas pelo governo federal, sem a participação do governo estadual. Dilma nem é citada, a não ser que tenha na ocasião alguém do governo federal. Lula não teria gostado nada dessa postura…

E a desastrada gestão dela está novamente desequilibrando as finanças estaduais, voltando ao que encontrei ao assumir o governo em 2002, quando encontrei o estado quebrado, sem recursos para investimento, mesmo tendo vendido o Banco do Estado, a Cemar e a Telma. O trabalho foi tão bem feito que tivemos dinheiro para investir principalmente na área social, que resultou em um grande avanço nos nossos indicadores, como mostram o IBGE e o IPEA. Passei o governo sem dívidas, com quase 400 milhões de reais em caixa. Jackson Lago continuou esse trabalho e, dessa forma, quando Roseana tomou o governo na justiça, encontrou muito dinheiro que prontamente se esmerou em jogar fora, como é do seu feitio.

Agora, a Agencia Moody’s faz um rating emissor atribuído ao Maranhão e diz o seguinte:

“O Maranhão tem uma população de aproximadamente 6,8 milhões de habitantes e é um dos estados mais pobres do Brasil. O Maranhão contribui com apenas 1% do PIB nacional e o PIB per capita do estado é equivalente a 32% do nível nacional.

As receitas próprias representam aproximadamente 42% das receitas operacionais, um nível baixo em comparação com os outros estados brasileiros classificados. Durante o período de 2008 a 2012, as receitas operacionais cresceram com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 9%, e foram ultrapassadas pelas despesas operacionais que cresceram com uma taxa de 13% durante o mesmo período. Isso levou a uma deterioração significativa do resultado de conta corrente bruto do Maranhão de 15,5% em 2008 para 3,7% das receitas operacionais em 2012.

O desalinhamento do crescimento das receitas e das despesas representa, na visão da Moody’s, um dos desafios mais significativos do Maranhão visto que prejudica a capacidade do estado de cobrir as despesas de capital sem incorrer em dívida adicional”.

A incompetência do governo estadual agora é apontada até internacionalmente. Estamos piores a cada dia.

Pois bem, para encerrar, estão falando que o governo é chamado de itinerante porque ninguém o encontra. Quando se procura, ele não está mais, já foi, está em outro lugar.

E não é só a estrutura do governo. Os instrumentos cirúrgicos dos hospitais inaugurados já não estão lá. Foram para outro município para a próxima inauguração da governadora. É tudo itinerante.

Assim aconteceu em Olho d’Água das Cunhãs, com o recém-inaugurado hospital na cidade. Para ter a concordância do prefeito para o evento, prometeram um convênio de R$ 100 mil mensais que nunca saiu e nem vai sair. Dentro de pouco tempo estará fechado, pois o prefeito não tem recursos para bancar o funcionamento do hospital. A culpa pelo fechamento vai cair nas costas do prefeito.

É lamentável, mas esse programa dificilmente ficará de pé…

O ex-governador José Reinaldo Tavares escreve para o Jornal Pequeno às terças-feiras