Feliz Natal

por Tomaz de Aquino

Jesus nasceu! Este é um fato histórico imutável. Um dia no calendário do mundo, o Deus se fez homem e habitou entre nós. Esse dia não foi registrado, mas nem só por isso devemos esquecer como se não houvesse. Na verdade, a maioria dos fatos bíblicos não tem data certa é sempre atribuída uma data provável como produto de inferências de “estudiosos” que tentam descobrir mistérios.

Tudo bem, pode não ter sido neste dia celebrado (25 de dezembro) que Jesus nasceu. Mas que dia foi mesmo? Você sabe? Alguém pode sair por ai apregoando com convicção uma nova data no calendário do mundo?

Vivemos em um sistema que insiste de todas as formas apagar todos os símbolos cristãos da vida cotidiana dos seres humanos. A remoção de símbolos é um passo a mais na descristianização da nossa nação. Isso sim é um ato maligno!

O Natal é um dos poucos símbolos do cristianismo que ainda resta. Tirá-lo, alegando origem duvidosa ou mesmo pagã, é na verdade contribuir para que sejam apagadas lembranças importantes do dia em que Deus se fez gente.

Eu sei que alguns argumentam “teologicamente” a historia de São Nicolau, o símbolo da árvore de Natal, o deus sol como sendo fatos espirituais sérios. E os que se alimentam deste natal com tais símbolos estão atraindo para si estes mesmos fatos espirituais.

Bom, é só isso? E os demais elementos herdados de um cristianismo institucional que transformou as igrejas em empresas, seus pastores em executivos, não carregam símbolos espirituais sérios?

E as vacas sagradas do cristianismo atual, não serão também removidas? A ceia do senhor ministrada somente por um ministro ordenado, onde foi dito que seria assim? Um batismo que tem forma e rito definido além de ser oficializado também por um ministro reconhecido, onde tem isso? Um batismo que é exigido do batizando uma vida “pura”, uma vida civil sem falhas, onde tem isso? A bíblia só exige ao batizando arrependimento e fé, enquanto que as mudanças necessárias serão processadas no dia-a-dia pela ação do Espírito e não da igreja.

E os judaizantes, os quais o apóstolo Paulo muito os combateu que enchem as igrejas das festas de Israel, suas bandeiras e seus ritos, não estão atraindo as ligações espirituais com uma religião que crucificou o Deus homem Jesus?

E o dízimo que é usado como instrumento de controle e medo para se obter renda, mas não como proveniente de um coração grato e generoso?

A orientação da Palavra é: “deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsia em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé. Rejeite as fábulas profanas e tolas, e exercite-se na piedade”.

O caminho de Cristo entre nós não precisa de caça às bruxas. Não precisa de defensores e purificadores de religião, ele não é uma religião.

O caminho de Cristo é um caminho de liberdade – foi para liberdade que Cristo vos libertou. O caminho de Cristo é perfeito, não há diabo nele, não há tropeço, nem o louco o erra.

O reino de Deus não é um reino de prisioneiro, mas de gente livre. É um reino de justiça, paz e alegria no Espírito. O reino de Deus é onde espíritos malignos se submetem ao rei do reino. No reino de Deus ídolos ou qualquer outra coisa não são nada, Deus é tudo. No reino de Deus tudo é puro para os puros. Quem consegue ver maldade até no nascimento de Jesus é porque tal maldade brota do seu próprio interior.

Irmão querido, celebre seu Natal, o nascimento de Jesus com alegria e liberdade, porque a chegada de Jesus é a chegada da luz no meio da escuridão. É isso que celebramos. Nós andávamos em trevas e então brilhou a luz. Vivíamos na região da sombra da morte e vimos a luz. Não permita que fariseus pós-modernos ofusquem o brilho da sua celebração.

Feliz Natal e um grande ano em 2014


O Significado do Natal?

Por Tomaz de Aquino

Hoje, o natal significa comércio e consumismo. Ele serve aos marqueteiros, à ganancia, futilidade e até a demonstração de força e poder entre os chamados poderosos, com sua distribuição de brindes. O papai Noel, seu ícone principal, é ambíguo, pois ao mesmo tempo em que supostamente da presente a algumas crianças, deixa de lado as mais necessitadas. Esse Natal serve ao capitalismo, valoriza troca de presentes e mesas fartas, além de muita euforia, que na maioria das vezes não é decorrente do seu real significado.

O que significa de verdade o Natal?

Significa o nascimento de Jesus, que Deus virou gente e habitou entre nós.

Este foi o evento de maior importância, demonstrado pelos astros, quando estrelas sinalizaram onde nasceria o salvador, assim como por anjos, que vibrando cantaram em um grande coral celestial por causa do seu nascimento.

Reis se importaram tanto com sua chegada que se deslocaram de suas terras a fim de adorar aquele menino Deus, enquanto outra autoridade governamental, Herodes, preocupou-se tanto com sua chegada, pois entendia que ameaçava seu reinado, que ordenou a matança de todos os meninos de sua idade com a intenção de matá-lo.

Natal significa que nasceu o homem-Deus cujo modelo de vida deve ser imitado, e que a face de Deus pode ser vista na terra, deixando claro aos homens como Ele é.

Portanto, celebrar o natal é estender o amor de Deus aos seres humanos. É festejar o encontro com Deus.

Comemorar o Natal é vivenciar a possibilidade de viver em paz em meio a tanta dor e conflito, é afirmar que é possível ter um relacionamento com Deus Pai, através de Jesus, que afirmou ter vindo “não para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los”.

Temos muitas razões para nos alegrar no natal. Vamos comer juntos, por que não trocar lembrancinhas? Tudo isso, como símbolo do maior presente que recebemos a vida de Deus em nós. No entanto, é tempo de dar a nossa vida a quem nos deu a sua.

Neste natal, vamos unir gratidão, fé, alegria, amor, para reverenciar, não o menino Jesus, mas Jesus, o Cristo de Deus, aquele que foi feito Senhor e Cristo, o Deus que se fez gente como nós para que sejamos gente como ele foi.


A Paz é fruto da Justiça

Por: Flávio Dino

Na próxima terça-feira, centenas de milhões de famílias no mundo inteiro celebram o nascimento de Jesus, ocorrido há 2012 anos. A data é a primeira em importância no calendário cristão e a celebração mais profundamente enraizada na memória afetiva do povo brasileiro.

Este ano, para mim, a data vem acompanhada de imensa tristeza, pela perda de meu filho Marcelo, causada por ganância, negligência, desumanidade em um hospital que deveria salvar vidas. Penso, neste momento, em muitos daqueles que não podem passar o Natal com sua família completa. Quantas famílias que por algum motivo – violência, crime, falha hospitalar – passarão o Natal sem algum de seus parentes?

Sintonizado nessa profunda dor, renovo minha reflexão sobre um importante ensinamento cristão que sempre me inspira nos caminhos da vida: “o fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz” (Tiago 3,18). Muitas vezes, essa paz é mal compreendida. Não devemos entendê-la como a simples ausência de conflitos. Se essa ideia fosse real, poderíamos entender como paz o silêncio dos que se resignam diante das intempéries da vida e calam diante das injustiças, ou a prostração diante das dificuldades. E este não é o exemplo que Jesus nos deixou.

Em um dos episódios mais marcantes narrados pela Bíblia, Jesus, antes de ser condenado à crucificação, chega a um templo em Jerusalém e o encontra ocupado por mercadores. Não teve dúvidas: “Expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas” (Mateus 21-12).

Os sacerdotes do templo se surpreenderam pela contundência com que Jesus tratou os mercadores. No entanto, Ele justificou a ação pelo respeito ao local divino. Com essa passagem importante da Bíblia, Jesus deixa claro, a todos nós que seguimos seus ensinamentos, que paz não é ausência de luta. Todos passamos por situações parecidas em nossas vidas e temos de entrar em disputas para obter a justiça que tanto queremos, por meio da qual poderemos obter a tão sonhada paz – plena e verdadeira.

Outra passagem da Bíblia que me vem à cabeça neste momento de Natal é do Evangelho de Mateus. Ele conta a história de um proprietário que não planta nada em seu terreno e o arrenda a outras pessoas para que plantem oliveiras. Ao final da parábola, Jesus se dirige aos fariseus: “Eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que dê os seus frutos”, (Mateus 21-43).

‘Dar frutos’, ou seja, aproveitar as possibilidades que se abrem em nosso caminho e ser generoso diante da fartura que somos capazes de produzir é um dos preceitos mais caros ao cristianismo. Por isso, indigno-me sempre com realidades que encontro no Maranhão. A riqueza que nosso estado produz segue mal distribuída entre os maranhenses. Ou seja, a riqueza maranhense existe e cresce, mas não “dá frutos”, pois se perde nos ralos da concentração desumana, da corrupção e da incompetência.

Essa é a realidade anticristã sobre a qual devemos meditar e orar. E contra a qual devemos lutar, para encontrar a paz. Afinal, “bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mateus 5:-6)

Bom Natal a todos!

Flávio Dino, 43 anos, é presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), foi deputado federal e juiz federal