Sucessão presidencial imprevisível

Robson PazROBSON PAZ

Concluído o prazo das convenções, 13 candidatos foram oficializados para disputar a Presidência da República. É o maior número de concorrentes desde as eleições de 1989. À época, 22 nomes concorreram ao pleito presidencial.

Salvo o imponderável, o próximo presidente do Brasil será eleito em segundo turno, como ocorre desde 2002. Imprevisível, contudo, a esta altura cravar quem estará na disputa, no dia 28 de outubro. As recentes pesquisas apontam Lula (PT) contra Bolsonaro (PSL/PRTB). Dificilmente a candidatura do ex-presidente resistirá à apreciação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em face da Lei da Ficha Limpa, sem entrar no mérito da decisão.

Exatamente por isso, Lula e o PT confirmaram o plano B: a candidatura do ex-prefeito de São Paulo e coordenador do programa de governo petista, Fernando Haddad, como candidato a vice e virtual candidato a presidente, a se confirmar o impedimento de Lula. A aliança tem ainda PCdoB, PROS e PCO. Manuela D’Ávila será a vice de Haddad.

Sem Lula na disputa, o jogo zera. Pelo menos, teoricamente. As pesquisas mostram Bolsonaro e Marina Silva (Rede) na liderança dos levantamentos momentaneamente.

Mas é a partir do dia 16, quando começa a campanha eleitoral, e do dia 31 com a propaganda eleitoral no rádio e TV, que a batalha começa pra valer. E não há favoritismo.

Até onde a vista alcança não há ambiente de unidade nos principais pólos políticos, que protagonizam as eleições para presidente, desde 1994. Tanto no campo conservador quanto no progressista há divisões.

A despeito da aliança entre PSDB, PTB, DEM, PSD, PP, PR, SD, PRB e PPS, a direita representada na candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) não está coesa.

As candidaturas de Álvaro Dias (Podemos/PSC/PTC/PRP) e Henrique Meireles (MDB/PHS) demonstram que há dissensos. Cenário que fica ainda mais latente com a festejada candidatura da extrema direita, que reúne PSL e PSDC, sob liderança de Bolsonaro.

No centro, a candidatura de Marina Silva (Rede/PV) é uma espécie de zebra sempre pronta para acontecer.

No campo popular e democrático, as candidaturas de Fernando Haddad, Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSol/PCB). Tal qual a direita, a pulverização de candidaturas é um dos pontos fracos para as forças progressistas. A extrema esquerda marca posição com Vera Lúcia (PSTU).

A despeito das adversidades com a prisão política de Lula, o PT foi o partido que melhor articulou para assegurar presença no segundo turno. Concorrerá para isso a força eleitoral de Lula e as alianças costuradas. Além do apoio de PROS e PCdoB, a garantia de palanques regionais fortes para Haddad, sobretudo, no Nordeste e Sudeste, aumentam as chances de estar no segundo turno.

Tarefa que parece tanto mais complexa para o candidato do establishment. Por uma razão simples. Ele terá de conter a sangria eleitoral pró-Bolsonaro, superar Marina Silva, não perder terreno para Álvaro Dias e se desvencilhar da herança maldita do governo Temer e do fantasma da Lava Jato.

Ainda assim, PT e PSDB têm reais chances de protagonizar uma vez mais a disputa pela Presidência da República.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


O povo quer mais

Robson PazROBSON PAZ

Por mais de 50 anos, o Maranhão viveu nas trevas. Não tinha escola em tempo integral. As minorias eram invisíveis aos olhos do Estado. Maranhenses submetidos à via crucis em busca de socorro por falta de rede hospitalar eficaz. Violência nos presídios e fora deles. Crianças e adolescentes privadas de escolas dignas. Milhares de jovens, adultos e idosos analfabetos. Sina de décadas, que parecia eterna.

Triste realidade, que começou a mudar. Quem diz isso? O povo, pesquisas e veículos de comunicação respeitados nacionalmente.

Na convenção que confirmou a candidatura à reeleição de Flávio Dino ao governo, testemunhos emocionados deram a dimensão de como a política feita com seriedade e sensibilidade pode mudar para melhor a vida das pessoas. Crislane, Karla Manuela e Ana Vitória são jovens que têm em comum sonhos e projetos de vida sendo realizados a partir dos Iemas (Institutos de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão). A professora Maria de Jesus apontou o programa Escola Digna como o maior legado do governo Flávio Dino, pois além de construir, reformar e reconstruir escolas assegura valorização e formação para professores e gestores.

Beneficiário do Cidadão do Mundo, Fábio contou a experiência do intercâmbio internacional, que proporciona aos jovens estudantes da rede pública crescimento pessoal, profissional e os tornam multiplicadores de conhecimento.

A idosa Maria Erondina falou da alegria de aprender a ler e escrever, aos 72 anos, no programa “Sim, Eu Posso!”

Filas desumanas foram reduzidas com a construção da rede de hospitais regionais em Pinheiro, Caxias, Imperatriz, Santa Inês, Balsas e Bacabal. A população agora tem acesso a serviços de Ortopedia e Traumatologia, no HTO; Casa Ninar cuida de crianças com problemas de neurodesenvolvimento; atendimento odontológico no Sorrir. Atenção básica com a criação da Força Estadual de Saúde.

Telma e Raildes, esposa e filha de policiais militares, agradeceram as conquistas dos profissionais da segurança pública. Promoções, concursos públicos e contratações que deram ao Estado o maior contingente da Polícia Militar da história. São Luís deixou a vergonhosa lista das 50 cidades mais violentas do mundo. Ficou para trás o terror que dominava o sistema penitenciário e o pânico imposto pelos bandidos à população.

O menino Gabriel emocionou a todos ao falar sobre o programa Travessia, que leva pessoas com deficiência gratuitamente para atendimento médico e atividades de lazer e entretenimento. Direitos e cidadania promovidos também com ampliação de restaurantes populares, Vivas e Procons como nunca antes no Estado.

A vida de Pedro Jorge e demais beneficiários do Cheque Minha Casa mudou com moradia digna. Sonho de ver a filha na universidade, da quilombola e quebradeira de coco Marinilde, concretizado graças ao Mais IDH.

Mudanças como estas e muitas outras levaram o portal G1, da Rede Globo, a conferir ao governador Flávio Dino o título de governador mais eficiente do Brasil.

É por isto que a população afirma com altivez em atos públicos ou por meio de pesquisas, que creditam ao governador Flávio Dino mais de 60% dos votos, que o povo quer mais. Nos dizeres da menina Ana Vitória: “Gratidão, meu povo!”

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Bequimãoenses participam da maior convenção da história para confirmar coligação de Flávio Dino

Convenção Flávio Dino-BequimãoCom mais de 10 mil pessoas na maior convenção da história do Maranhão, o governador Flávio Dino teve o nome confirmado neste sábado (28) para disputar a reeleição pela Coligação Todos Pelo Maranhão. O vice-governador Carlos Brandão (PRB) também foi oficializado na vaga de vice. E os deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) foram homologados como candidatos ao Senado.

A convenção é o momento em que os partidos escolhem os candidatos que vão disputar a eleição. O evento no MultiCenter Sebrae, em São Luís, reuniu milhares de pessoas, entre filiados a partidos políticos e não filiados.

A Coligação Todos Pelo Maranhão reúne 15 legendas: PCdoB, PDT, PP, PPS, PROS, PSB, PT, PTB, PR, PRB, DEM, PEN, PTC, Solidariedade e PPL.

“É a maior convenção da história do Maranhão”, disse Flávio Dino. Durante o discurso, ele fez um balanço de algumas ações realizadas pela atual gestão.

“Aqui no Maranhão estamos fazendo a nossa parte. Governo perfeito só o de Deus, o nosso Governo não é perfeito, mas quero dizer que fiz neste período tudo o que eu podia fazer”, afirmou, lembrando os efeitos da crise econômica nacional sobre todo o país.

Ele listou programas como o Escola Digna, o Mais Asfalto, o Cheque Minha Casa, o Mais IDH e tantos outros.

“Fizemos neste período tudo o que podíamos. Fizemos o máximo, e por isso todos os Estados do Brasil respeitam o Maranhão, porque sabem que estamos na direção certa”.

O vice-governador Carlos Brandão disse que se trata de um “governo que governa para o povo. Flávio Dino é extremamente preparado, competente, capaz e dedicado. E teve a competência de escolher uma equipe extremamente competente para o governo”.

União

Os candidatos ao Senado também ressaltaram o novo momento vivido pelo Maranhão a partir de 2015.

“É um momento de muita responsabilidade política. O povo deu a oportunidade ao grupo liderado pelo Flávio Dino de fazer as verdadeiras mudanças”, disse Weverton.

“O governador deu voz à juventude no interior do Maranhão, à juventude da periferia. E nunca mais vão conseguir calar a nossa voz. Todos esses partidos que estão aqui são do time da vitória”, afirmou Eliziane.

Segundo ela, “saímos do momento da história do Maranhão quando apenas uma família de poderosos controlava esse estado. Eles precisam entender que nossas famílias não vão ser mais comandadas. Estamos vivendo um novo momento do Maranhão”.convenção-flavio dino

Weverton acrescentou que todos fazem parte “de uma chapa vitoriosa liderada por um homem que teve a coragem de procurar na escuridão e encontrar a luz para essas crianças pobres que não tinham acesso à escola, através do programa Escola Digna. Que teve a coragem de abrir hospitais enquanto os outros Estados fechavam”, acrescentou.

Lula

O governador Flávio Dino também falou sobre o ex-presidente Lula e voltou a defender que o petista possa ser candidato à Presidência da República. “Todos nós que estamos aqui defendemos a Justiça, eleições justas, eleições livres. E para ter eleição justa no Brasil, para cada um poder votar em quem quiser, é fundamental que a gente diga Lula Livre, para ter democracia no país,”

“Não significa dizer que todo mundo vai votar no Lula, mas significa que quem quiser votar no Lula vai ter o direito de escolher seu presidente da República”, afirmou.

convenção-bequimao

Bequimão

Dezenas de dirigentes e militantes dos partidos que apoiam Flávio Dino em Bequimão participaram da convenção. Os vereadores Fredson (PCdoB) e Tiago Almeida (PRTB), o ex-vice prefeito César Cantanhede (PSDB), o secretário adjunto Robson Paz (Comunicação), os ex-vereadores Sassá, Robson Cheira e Elanderson, os suplentes Júnior e Gordo do Quindiua, o ex-prefeito Bernal, além de lideranças comunitárias participaram do ato político. O deputado estadual Zé Inácio (PT) também participou do evento.


Erro de avaliação?

Robson PazROBSON PAZ

A despeito de toda engenharia da elite política, jurídica e midiática, a desarmonia de parte das forças de esquerda contribuiu significativamente para a concretização do golpe parlamentar, que retirou a presidenta Dilma Rousseff do poder, em 2016.

Há vários os exemplos. A dispersão de partidos como o PSB, que apoiou o impeachment. É um destes. Mesmo no PT, houve quem avaliasse que o afastamento de Dilma em meio ao desgaste resultante da crise econômica abriria caminho para a volta triunfal do ex-presidente Lula. Erro de leitura monumental.

Afastada a presidenta legitimamente eleita, passo seguinte do consórcio golpista foi a condenação, sem provas, do ex-presidente e o conseqüente enquadramento na Lei da Ficha Limpa. A prisão política tem como pano de fundo impedir que Lula, líder em todas as pesquisas, dispute a eleição e conquiste nas urnas o terceiro mandato para a Presidência da República.

Pois bem. Enquanto a direita e o centrão selam aliança pró-Geraldo Alckmin (PSDB), os partidos de esquerda teimam em não construir o caminho da unidade. Contrariam a vontade popular, manifesta em todos os levantamentos estatísticos realizados, que reprova o modelo de gestão imposto pelos conservadores ora no Palácio do Planalto.

Apesar de reiterados apelos do PCdoB pela união, o fato concreto é que PT, PSB, PT e PSol caminham a passos largos para a pulverização de candidaturas presidenciais deixando o terreno livre para as candidaturas patrocinadas pelos artífices do golpe, que interrompeu o ciclo de governos populares e progressistas iniciado em 2003 e consequentemente levou o ex-presidente Lula para a prisão.

A coesão dos partidos de centro-direita garantiu tamanha tranquilidade ao pré-candidato Geraldo Alckmin, que este se dá ao luxo de prospectar adversários. Reportagem do Jornal Folha de S. Paulo, no último domingo, 22, afirma que o ex-governador de São Paulo prevê segundo turno em que enfrentará o candidato do PT, apoiado pelo ex-presidente Lula.

Tese reiterada nesta segunda por articulista do jornal paulista. Não é difícil entender a razão da predileção. Basta lembrar que antes mesmo do impeachment de Dilma e da prisão de Lula, o PT foi alvo de campanha sistemática da grande mídia numa tentativa torná-lo sinônimo de corrupção.

A repercussão foi de tal dimensão que o processo de afastamento da presidenta Dilma se deu mesmo sem provas, em grande medida pela repulsa de parte da população ao PT sob o discutível argumento de combate à corrupção seletivamente.

De todo este massacre jurídico midiático sobrou a figura do ex-presidente Lula, que a despeito de toda a campanha manteve-se com índices elevados de popularidade. De sorte, que, mesmo preso político, lidera todas as pesquisas de intenção de votos para a presidente.

Seria esta umas das razões pelas quais Alckmin do alto de sua experiência político eleitoral aposta (ou torce?) que enfrentará candidato do PT no segundo turno?

Toda esta conjuntura exige desprendimento das forças progressistas para evitar que a elite conservadora dê o golpe final e legitime nas urnas o processo arbitrário e antidemocrático em curso no país.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


DNA golpista

Robson PazROBSON PAZ

Por pouco mais de meio século raríssimas vezes o Maranhão teve governos opositores ao regime coronelista. Coincidentemente, todas as vezes que o Estado é governado com viés progressista, privilegiados gritam e ameaçam a estabilidade política.

Foi assim em meados da década passada, quando o ex-governador Zé Reinaldo rompeu com as políticas do atraso e priorizou o combate à pobreza. O corte de privilégios, a meta mobilizadora de elevar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e a universalização do ensino médio causou furor aos pretensos “donos do Maranhão”.

Além do massacre midiático, o grupo dominante atuou nos bastidores para o afastamento do então governador. Mas, precisavam ter o controle da Assembleia Legislativa. Foi lá onde se deu a maior e mais importante batalha política no Maranhão, no início deste século. Hábil, o ex-governador Zé Reinaldo venceu a disputa do Legislativo com a eleição do deputado estadual João Evangelista para a presidência da Casa. Assegurou a governabilidade, a despeito das investidas jurídicas utilizadas pelos poderosos, que usaram até o então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) para evitar a derrota. O máximo que conseguiram foi procrastinar o revés, por pouco tempo.

Para muitos, a simbólica vitória de Jackson Lago, em 2006, seria o fim do ciclo coronelista no Maranhão. Não foi! Amparado no prestígio político junto ao governo federal e acesso aos tribunais, os derrotados pelo voto popular prepararam um absurdo processo, que culminou numa das maiores violências políticas vistas no Estado. Legitimamente eleito, Jackson Lago foi o primeiro governador cassado, no país. Pasmem, por abuso de poder político e econômico. Absurdo!

Golpe jurídico, nas palavras do ex-presidente do STF Francisco Rezek.

Pois bem. Cinco anos depois, o povo do Maranhão impôs a maior derrota ao sarneysismo, em cinco décadas, elegendo o governador Flavio Dino com mais de 63% dos votos válidos, em primeiro turno.

Afastado dos palácios e desprestigiado em âmbito nacional, o grupo oligárquico se junta aos golpistas nacionais e usa a expertise para atuar na articulação do ilegítimo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Mas, quem pensa que viu tudo se engana.

Sem votos e amplamente rejeitado pela população, as pesquisas de intenções de votos mostram isso, a dinastia Sarney passa a investir uma vez mais na tentativa de chantagear os poderes para criar dificuldades ao governador Flavio Dino. Em ritmo frenético ingressam com representações no Judiciário, ataques sistemáticos pelo império midiático e agora num ato de desespero apresentam esdrúxulo pedido de impeachment na Assembleia Legislativa.

E qual o crime cometido pelo governador Flavio Dino? Combater a corrupção, os privilégios, trabalhar com seriedade e para o bem de todos? Escolas dignas, hospitais regionais e atenção à saúde primária, garantir mais segurança, transparência são inconcebíveis para aqueles que têm DNA golpista. Governar com eficiência e seriedade é inaceitável para quem deixou o estado com os piores indicadores sociais do país e conhecido internacionalmente pela barbárie medieval nos presídios. Não passarão!

Por fim, desejo ao ex-governador Zé Reinaldo, esposa e assessores plena recuperação, depois do susto sofrido em acidente de carro.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.


Nordeste na vanguarda da comunicação cidadã

Robson PazROBSON PAZ

A agenda de retrocesso imposta ao país pelo governo Michel Temer (MDB) ameaça recentes conquistas da comunicação pública. Sob o dogma do Estado mínimo, Temer e aliados incluíram a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) no pacote das empresas públicas passíveis de extinção. Pôs em prática o Plano de Demissão Voluntária (PDV) para os servidores da empresa com redução prevista de até 22% do quadro de pessoal.

Mais recentemente, o Conselho de Administração da EBC rebaixou a empresa criada para desenvolver a comunicação pública à categoria de agência de comunicação governamental. Determinou que a Agência Brasil passe a oferecer apenas conteúdos jornalísticos estatais. A deformação autoritária da empresa iniciada após o golpe de 2016 mereceu o repúdio do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e dos ex-presidentes da EBC.

A cartilha da negação do direito à comunicação já havia sido adotada no Rio Grande do Sul, onde o governador Ivo Sartori, coincidentemente do MDB, extinguiu o sistema público de comunicação do estado. Os projetos encaminhados pelo governo à Assembleia Legislativa extinguem a TVE, a rádio FM Cultura, entre outras instituições.

É inevitável a comparação com o desmonte da Rádio Timbira AM pela ex-governadora Roseana Sarney (MDB), na década de 1990. Ao não conseguir seu intento de privatizar a rádio, tal qual o aliado Temer, a emedebista impôs um PDV aos funcionários da emissora e sucateou a mais longeva rádio do estado. Foram mais de duas décadas de abandono e ostracismo.

Pois bem. A despeito dos reveses, nem tudo são trevas na comunicação pública. Há luz no fim do túnel. Na última semana, trocamos experiências acerca da comunicação estatal pública com dirigentes de rádios e TVs de estados nordestinos. É especialmente estimulante ver a valorização da comunicação estatal pública nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Paraíba.

Os baianos contam com a TV Educativa e a Rádio Educadora FM. Ambas geridas pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB). Em Aracaju, a Fundação Aperipê reúne televisão Educativa (Aperipê TV) e duas emissoras de rádio: Aperipê AM e FM.

Nas Alagoas, o Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) é responsável pela TVE e as Rádios Difusora AM e Educativa FM. Com mais de 80 anos, a Rádio Tabajara AM foi completamente reestruturada, bem como a emissora FM formando o sistema de comunicação estatal público da Paraíba.

No mar de intempéries e monopólio da grande mídia, as emissoras públicas do Nordeste destacam-se pelo jornalismo plural, diversidade da programação cultural e educativa.

Depois de duas décadas de abandono e descaso, a Nova 1290 Timbira AM está inserida nesse contexto. Agora, participa de esforço conjunto para estabelecer integração entre o sistema público de comunicação da região. Um grande desafio!

As parcerias de conteúdo e cooperação técnica se constituem num passo de elevado significado e importância para a garantia do direito humano fundamental à liberdade de expressão e livre acesso às informações.

Iniciativa, que coloca o Nordeste na vanguarda da comunicação pública do país.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.